
Essa foi a matéria mais incrível que escrevi. Incrível pelo sucedido, incrível pela falsa realidade, incrível pela fala realística, incrível pelo resultado, que pode ser incrivelmente assustador.
Fui testemunha desse diálogo onde um proponente de projeto cultural tenta convencer um representante de empresa a patrocinar sua exposição com imagens criadas por adolescentes de favelas do Rio de Janeiro.
No final, a verdade será revelada.
Aconteceu o seguinte:
O proponente do projeto cultural, Paulo, entra na sala de reuniões da empresa Yluzium, onde o espera o responsável pelo setor de patrocínio, Ricardo. Ele carrega uma pasta com fotos e documentos sobre o seu projeto.
Paulo: Bom dia, Ricardo. Obrigado por me receber.
Ricardo: Bom dia, Paulo. Vamos direto ao assunto. O que você tem para me mostrar?
Paulo: Eu tenho um projeto muito interessante e relevante para a sua empresa. É uma exposição de arte voltada para mostrar as atividades criativas, ligadas à arte, de adolescentes em favelas do Rio de Janeiro.
Ricardo: Hm… E qual é o objetivo dessa exposição?
Paulo: O objetivo é valorizar e divulgar o potencial artístico desses jovens, que muitas vezes são invisibilizados pela sociedade. Eles produzem obras incríveis com materiais reciclados, pinturas, grafites, colagens, esculturas, etc. A exposição também quer promover a inclusão social e a cidadania desses adolescentes, oferecendo oficinas, palestras e debates sobre temas como educação, cultura, direitos humanos e meio ambiente.
Ricardo: E qual é o público-alvo dessa exposição?
Paulo: O público-alvo é amplo e diverso. Queremos atrair tanto as pessoas que já frequentam os espaços culturais da cidade, como museus e galerias, quanto as que não têm acesso a esses locais. Queremos também envolver as comunidades onde os jovens artistas vivem, criando um diálogo entre elas e o restante da sociedade. A exposição será itinerante e percorrerá diferentes bairros do Rio de Janeiro.
Ricardo: E qual é o orçamento do projeto?
Paulo: O orçamento total é de R$ 200 mil reais. Desse valor, R$ 150 mil são para a produção da exposição, incluindo o transporte e a montagem das obras, a contratação de pessoal especializado, a divulgação e a realização das atividades paralelas. Os outros R$ 50 mil são para a remuneração dos jovens artistas, que receberão um cachê simbólico pela participação no projeto.
Ricardo: E por que você acha que a nossa empresa deveria patrocinar esse projeto?
Paulo: Porque esse projeto está alinhado com os valores e a missão da sua empresa. A Yluzium é uma empresa que se preocupa com a responsabilidade social e ambiental, que apoia a cultura e a educação, que valoriza a diversidade e a inovação. Ao patrocinar esse projeto, vocês estarão contribuindo para o desenvolvimento desses jovens talentos, para a democratização da arte e para a transformação social do Rio de Janeiro. Além disso, vocês terão uma ótima oportunidade de divulgar a sua marca para um público variado e engajado, gerando uma imagem positiva e diferenciada da sua empresa.
Ricardo: Olha, Paulo… Eu vou ser sincero com você. Eu não tenho interesse em patrocinar esse projeto.
Paulo: Por quê?
Ricardo: Porque eu não vejo como esse projeto pode trazer retorno para a nossa empresa. Eu não vejo como esses jovens artistas podem representar a nossa marca. Eu não vejo como essa exposição pode atrair o nosso público-alvo. Eu não vejo como esse projeto pode se encaixar na nossa estratégia de marketing.
Paulo: Ricardo… Você está cometendo um grande erro ao pensar assim. Você está subestimando o potencial desses jovens artistas. Eles são criativos, originais, autênticos. Eles são capazes de expressar suas visões de mundo, suas emoções, suas críticas através da arte. Eles são capazes de sensibilizar e surpreender as pessoas que veem as suas obras. Eles são capazes de inspirar outras pessoas a se expressarem artisticamente também.
Ricardo: Mas isso não basta para me convencer.
Paulo: Então eu vou te mostrar algumas fotos das obras que eles produziram. Veja essa aqui. É uma escultura feita com latas de refrigerante, que forma o rosto de uma mulher. Veja como ela é bonita, como ela reflete a luz, como ela tem personalidade. Essa obra foi feita por uma menina de 15 anos, que mora na favela da Rocinha. Ela se chama Ana e ela quer ser artista plástica.
Ricardo: É… É interessante…
Paulo: Veja essa outra. É uma pintura feita com tinta spray, que retrata uma cena de violência policial na favela. Veja como ela é impactante, como ela denuncia uma realidade cruel, como ela provoca uma reflexão. Essa obra foi feita por um menino de 17 anos, que mora na favela do Jacarezinho. Ele se chama Pedro e ele quer ser jornalista.
Ricardo: Hm… É forte…
Paulo: Veja essa última. É uma colagem feita com recortes de revistas, que mostra uma paisagem urbana misturada com elementos da natureza. Veja como ela é criativa, como ela contrasta o caos e a harmonia, como ela propõe uma utopia. Essa obra foi feita por um menino de 16 anos, que mora na favela do Vidigal. Ele se chama Lucas e ele quer ser arquiteto.
Ricardo: Nossa… É impressionante…
Paulo: Viu? Essas são apenas algumas das obras que esses jovens artistas produziram. Eles têm muito mais para mostrar. Eles têm muito mais para dizer. Eles têm muito mais para sonhar. E eles precisam do seu apoio para realizar os seus sonhos.
Ricardo: Paulo… Você me convenceu.
Paulo: Sério?
Ricardo: Sim. Eu admito que eu estava sendo preconceituoso e desinformado sobre esse projeto. Eu não tinha ideia do talento e da expressividade desses jovens artistas. Eu não tinha ideia do valor e da importância dessa exposição. Eu não tinha ideia do benefício e da oportunidade que esse patrocínio poderia trazer para a nossa empresa.
Paulo: Que bom que você mudou de ideia.
Ricardo: Me desculpe por ter sido tão resistente.
Paulo: Não precisa se desculpar. O importante é que você reconheceu o seu erro e se abriu para uma nova perspectiva.
Ricardo: Então vamos fechar o negócio?
Paulo: Vamos!
Ricardo: Parabéns pelo seu projeto, Paulo. Eu tenho certeza de que ele será um sucesso.
Paulo: Muito obrigado, Ricardo. Eu tenho certeza de que a sua empresa será uma grande parceira.
VERDADES REVELADAS
Esse diálogo traz muitos ensinamentos e o principal deles é que um proponente de projeto cultural, esportivo ou social deve estar preparado para rebater as objeções que qualquer representante de empresa possa fazer à sua proposta.
Ressalta como é importante o proponente simular várias situações e ter argumentos para convencer o patrocinador de que a empresa só terá vantagem como parceira.
Para isso, antes, é importante escolher empresa que, realmente, tenha a ver com o que for apresentado – não vá vender ideia associada a produto biodegradável para fabricante de salsicha.
Isso parece meio óbvio, mas é uma verdade que ainda prevalece, a despeito de muitos produtores ignorá-la.
Mas a verdade mais chocante é essa:
Esse episódio foi criado pela Inteligência Artificial.
Isso mesmo. Paulo e Ricardo são invenções de algoritmos e a construção desse diálogo foi feita juntando pedaços daqui e dali pescados na Internet, e que, reunidos, resultou na conversa realista e criativa entre dois supostos seres humanos.
Tudo nele foi inventado — os valores e distribuição da cota, os nomes dos personagens, os argumentos, as respostas e o final.
Quando disse que fui testemunha, foi porque provoquei o diálogo utilizando este prompt para que a Inteligência Artificial o elaborasse:
“Crie uma história com o seguinte enredo: um proponente de projeto cultural vai ao encontro de um responsável pelo setor de patrocínio da empresa para mostrar que seu projeto, a exposição de arte voltada para mostrar as atividades criativas, ligadas à arte, de adolescentes em favelas do Rio do de Janeiro. O representante da empresa, no diálogo, afirma que não tem interesse em patrocinar o projeto, mas o proponente insiste. Nesse roteiro crie os diálogos da apresentação do projeto pelo proponente, as objeções feitas pelo patrocinador, e quais respostas o proponente oferece para seduzir o profissional de marketing, o que consegue no final. O projeto será patrocinado”.
E pluft! Em menos de 5 segundos vi o texto ser escrito.
As únicas coisas acrescentadas foram o nome fictício que atribuí à empresa e algumas imagens capturadas para ilustrar, já que essa tarefa a IA não pôde concluir com êxito (os créditos das imagens estão abaixo).
Mas, afinal, o que aconteceu aqui é bom ou é ruim?
Fiquei me lembrando do filme Matrix e ainda não cheguei a uma conclusão.
Você chegou a alguma?
CRÉDITO
A imagem do topo da página não tem autor atribuído.
A segunda é da Escola Bonilha
A da homepage é de Guimera
*É Editor-Chefe de VALOR CULTURAL/Marketing Cultural, que têm entre seus propósitos dar visibilidade a bons projetos ou ações, valorizar empresas que praticam patrocínios conscientes e apontar aquelas que fingem ser o que não são no campo da Responsabilidade Social.
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