Saiba Para Quem a B3 Abre a Bolsa Para Patrocinar Projetos Culturais

Eduardo Martins*
Campanhia simbólica anunciou lançamento do Festival Arena B3. No centro, Roberto Menescal. (imagem de Rafael Matsunaga).

A Bolsa de Valores brasileira é conhecida como B3 e é assim pela referência aos termos Brasil, Bolsa, Balcão. Já bateu R$ 7 trilhões em valor de mercado (2021) e hoje possui 2.700 empresas listadas.

Sua história antiga remonta a 1890 com a formação da Bolsa Livre, fundada por Emílio Rangel Pestana, e o prédio secular, onde instalou-se em 1934, continua na Praça Antônio Prado, em São Paulo.

Pois foi nesse mesmo prédio que uma campanhia simbólica tocou para anunciar o Festival Arena B3, que desde o dia 17 de maio oferece uma programação cultural que se estenderá até 18 de agosto.

A inauguração do Festival contou com participação de artistas da cena cultural brasileira e no lançamento para o público houve um show especial de Roberto Menescal, um dos fundadores do movimento bossa nova, e a cantora Cris Delano.

Ana Buchaim, vice-presidente de Pessoas, Marca, Comunicação, Sustentabilidade e Investimento Social da B3, defendeu:

“Uma iniciativa como essa é motivo de celebração, pois preserva a cultura, estimula a criatividade, impulsiona a economia e fortalece a coesão social. Vamos trazer as pessoas para viver boas experiências no centro. Assim como o MUB3, o Museu da bolsa do Brasil, a Arena B3 oferece cultura acessível e aproxima a bolsa da realidade de muitas pessoas, que conhecerão nosso papel no desenvolvimento sustentável do país.”

A Arena B3 trará nomes da música e do teatro para shows, espetáculos teatrais, leituras, saraus e muitas outras atividades artísticas aos sábados e domingos. A seleção das atrações é feita pela Arte&Atitude e pela Aventura.

Mas esse Festival fez parte do portfólio de projetos que a empresa aprovou junto ao Programa Nacional de Cultura (Pronac) e, portanto, recebeu 100% dos benefícios oferecidos pela lei Rouanet.

Esse projeto, especificamente, teve valor aprovado de R$ 3,3 milhões, mas está sendo realizado com o R$ 1,8 milhão depositado pela própria B3. 

Como era o antigo pregão, no mesmo prédio da Praça Antonio Prado (imagem Werner Haberkorn/Fotolabor/Museu Paulista da USP – Museu Paulista, Domínio público).
Hoje o ambiente é mais tranquilo (Crédito: WikimediaCommons).

INCENTIVO – Mas esse tipo de projeto não é comum entre os patrocinados pela empresa com lei Rouanet. Seu foco principal está em planos anuais ou bianuais de museus e exposições, a quem direcionou R$ 17 milhões dos R$ 22 milhões aplicados em 2023.

Desses R$ 17 milhões, R$ 7,1 milhões foram utilizados para beneficiar seu próprio MUB3 (Museu da Bolsa do Brasil). O restante foi dividido para planos como os do MASP, Pinacoteca, Museu do Amanhã, Judaico, MIS, Inhotim, OSESP e Fundação Fernando Henrique Cardoso.

Fora dessa equação existe apenas musicais, como Priscilla, Rainha do Deserto e A Noviça Rebelde.

Isso em 2023, porque em 2022 a companhia resolveu publicar edital para apoiar projetos e houve grande diversidade entre as áreas, mas isso não se repetiu no ano seguinte.

O braço social da empresa chama-se B3 social e quem olha seu Relatório Anual ou o extrato das iniciativas com Investimento Social Privado, nota que seu interesse principal está nessas áreas.

Afirma que “desde 2020, a B3 Social atua no Investimento Social Privado como uma financiadora de projetos que contribuam para a redução das desigualdades no país. Para isso, utiliza seu conhecimento em gestão e métricas de resultado para apoiar iniciativas sociais com impacto comprovado – seja por meio de doação direta, seja por leis de incentivo fiscal”.

Balanço do Investimento Social constante em relatório da B3.

Informa ainda que “em 2023, a B3 Social aprovou a sua terceira carteira de investimento social em educação, com 34 iniciativas que somam R$ 22,5 milhões em doações, impactando mais de 8 milhões de alunos de escolas públicas. A estratégia, assim como nos dois anos anteriores, é apoiar soluções estruturantes para a melhoria da educação, priorizando aquelas com atuação baseada em evidências, potencial de influenciar políticas públicas e com abrangência nacional”.

Garante que naquele ano foram direcionados R$ 34 milhões para 56 projetos sociais, em três leis federais e uma lei municipal: a Lei de Incentivo ao Esporte, o Fundo da Criança e do Adolescente, o Fundo do Idoso e o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (PROMAC-SP).

E que os projetos apoiados em lei de incentivo atuam nos pilares de impacto do indivíduo e da comunidade na Teoria da Mudança da B3 Social.

Informa claramente que seu foco principal está na educação.

Nota-se, portanto, que a lei federal de incentivo à cultura não entrou no rol das leis de incentivos mencionadas. Empresa oferece breve explicação, escondida num canto, afirmando que a gestão de projetos enquadrados por essa legislação é feita pelo Departamento de Marketing.

Cada vez mais se consolida a utilização da lei para apoiar instituições, com o interesse maior se transferindo para ações sociais.

Informações mais detalhadas sobre essa empresa está em nosso Perfil de Patrocinadores.

*É Editor-Chefe de VALOR CULTURAL/Marketing Cultural, que têm entre seus propósitos dar visibilidade a bons projetos ou ações, valorizar empresas que praticam patrocínios conscientes e apontar aquelas que fingem ser o que não são no campo da Responsabilidade Social.

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