Durante conversa onde Jader Rosa e Bruno Tuzzi, (link abaixo), detalharam a elaboração do PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas do Brasil, ambos chamaram a atenção da importância do mercado da Moda na composição de dados desse setor.
“A moda, mesmo com fatores exógenos, como pandemia e guerra, é o setor que mais exporta”, afirmaram.
Conheça Melhor o PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas, Explicado Por Quem o Fez
Segundo a pesquisadora Retail X (Reino Unido) – que em outubro do ano passado apresentou o Latin America 2022, levantamento baseado em dados do e-commerce nos países da América Latina – o varejo digital brasileiro obteve o maior salto no ano, com receita das vendas crescendo US$ 8,1 bilhões em 2022 em relação ao ano anterior.
Entre os produtos mais consumidos pelos latino-americanos, eletrônicos puxaram a lista do estudo, mas a venda dos produtos de moda ocupou o segundo lugar no Brasil, com receita de US$ 8,9 bilhões.
Segundo o IEMI Inteligência de Mercado, que monitora cerca de 2.000 mil empresas da indústria têxtil e do vestuário no Brasil, em 2022 a produção de roupas no País chegou a 5,6 bilhões de peças, 12,6% maior do que a de 2021 (4,98 bilhões), mas ainda 5,6% menor do que a de 2019 (5,94 bilhões). Para o primeiro bimestre de 2023, conforme as projeções do Fórum Econômico Mundial, se previa que o número subirá para 7,39 milhões de peças e volume de vendas em torno de 7,55 bilhões, superando o número de 2019 – antes da pandemia, portanto – e com crescimento previsto de 4,9%.
O PIB da Cultura e da Economia Criativa (Ecic), elaborado pelo Observatório do Itaú Cultural, reforçou com outros números a pujança desse setor da indústria brasileira.
2020: Dentre os setores culturais e criativos que compõem o PIB da Ecic, as maiores participações correspondem aos setores de Tecnologia da Informação (50% do PIB da Ecic); Arquitetura (29%); e Publicidade (15%). Em 2020, o setor de Moda respondeu por 2,16% do PIB da Ecic.
2020
> Receita total das empresas de Moda: R$ 114,7 bilhões2 (22% da Receita total das empresas da Ecic)
> Lucro total das empresas de Moda: R$ 9,9 bilhões3 (9% do Lucro total das empresas da Ecic).
2021: Total de 130.052 empresas da Ecic.
> O setor de Moda responde por 38,5% (ou 50.084 empresas) da Ecic;
> As empresas do setor de Moda estão presentes especialmente nas regiões Sudeste e Sul, com maior presença nas Unidades Federativas a seguir: São Paulo (25%, ou 12.573 das empresas do setor); Santa Catarina (17%, ou 8.529); Minas Gerais (13%, ou 6.362); Paraná (8%, ou 4.115); e, Goiás (6%, ou 2.990).
2022
Mercado de trabalho: 615.531 trabalhadores criativos do setor de Moda (12,6% do total de trabalhadores criativos da Ecic), dos quais 76% não possuem carteira de trabalho assinada (trabalhadores informais), 55% se autodeclaram como negros (pretos e pardos) e 44% se autodeclaram como brancos.
Remuneração média: R$1.217,00 (57% menor que a remuneração média da Economia brasileira (R$ 2.808,00), e 3,5 menor que a remuneração média da Ecic, que foi de R$4.180,00).
2022
Exportações (Ecic): US$ 9,8 bilhões
Exportações (Moda): US$ 4,8 bilhões (49% das exportações da Ecic)
HÁBITOS CULTURAIS – Também durante a conversa com os responsáveis pelo PIB da Cultura e das Indústrias Criativas, do Observatório Itaú Cultural, Jader mencionou pesquisa realizada em 2022, juntamente com Datafolha, denominada Hábitos Culturais III.
Nela foram abordados diversos aspectos do comportamento dos brasileiros antes, durante e após a pandemia da Covid-19, por meio de 2.240 entrevistas em todo o País, tendo como base os temas Atividades Culturais, Gasto com Cultura, Impacto da Saúde Mental e Satisfação.
Como Cinema foi citado durante a entrevista, os dados dessa pesquisa mostram que o retorno às salas de exibição foi o principal objeto de desejo durante a pandemia. Foi o item em que 58% dos consultados revelaram mais sentir falta.

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) divulgou dados que mostram que as salas de cinema realmente tiveram uma retomada considerável de público em 2022. Dados preliminares do setor mostraram aumento de 82% na comparação com o ano anterior, com 95,1 milhão de pessoas. Em 2020, a pandemia de covid-19 forçou os cinemas brasileiros a quase pararem por completo, e foi só no ano seguinte que o público voltou a regressar a esses espaços, de forma tímida, que esteve sob forte impacto da crise sanitária.
Mas, e esse dado é preocupante, apesar de ter havido aumento de 98,8% na renda, chegando a R$ 1,8 bilhão, na comparação com 2019 (antes da pandemia) houve queda de 46,5% no público e de 35,4% na renda total em 2022.
A tabulação feita para avaliar o custo médio mensal para se assistir a algum evento presencial, ou virtual, demonstra que a queda acentuada de visitas a cinemas, teatros, museus e outros eventos (exceto shows), pode estar atrelada à diferença entre o que se gasta para ver essas ações, de uma forma ou outra, conforme pode ser observado pelos gráficos abaixo.


Para reforçar essa tendência, 62% confessaram que estão participando com menos frequência das atividades culturais e de lazer em comparação ao período anterior à pandemia, mas quando perguntados se preferiam eventos presenciais ou online a escolha não deixou dúvida. O contato pessoal ainda pesa a favor.

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SERVIÇO
Homepage: Imagem de Victoria_Regen
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