RESUMO: Grandes empresas no Brasil e no mundo se preparam para uma revolução quanto à transparência de seus Relatórios de Sustentabilidade. A partir do ano que vem eles deverão se tornar parte das demonstrações financeiras.
A fonte dessa mudança global são os novos padrões do ISSB (IFRS S1 e S2), que no Brasil foram traduzidos para as normas CBPS 1 e CBPS 2, que significam:
| Norma Global (ISSB) | Norma Brasileira (CBPS) | Foco Principal |
| IFRS S1 | CBPS 1 | Regras Gerais de divulgação para todos os riscos de sustentabilidade. |
| IFRS S2 | CBPS 2 | Regras Específicas para divulgação de riscos e metas Climáticas. |
OBSERVAÇÃO: Ver no final da matéria mais explicações sobre essas siglas.
O que você precisa saber sobre as normas e os objetivos das mudanças:
- Foco no Investidor: As novas regras exigem que as empresas divulguem como os riscos e oportunidades de sustentabilidade — principalmente os climáticos — impactam seu valor financeiro no curto, médio e longo prazo.
- Integração Obrigatória: A partir de 2026, companhias abertas no Brasil terão que apresentar essas informações junto aos seus balanços tradicionais, garantindo comparabilidade global.
- Transparência Climática: O pilar IFRS S2/CBPS 2 exige a divulgação detalhada de emissões de GEE (Escopos 1, 2 e 3), metas de descarbonização e análise de cenários climáticos.
Resultado: A agenda ESG da empresa deve estar integrada ao financeiro. A transparência na sustentabilidade será o novo padrão para atrair capital.
Uma das maiores transformações no mercado de capitais está em curso: a sustentabilidade deixou de ser um anexo opcional de comunicação para se tornar um componente obrigatório e integrado das demonstrações financeiras. Essa mudança é liderada pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), que emitiu os seus dois primeiros e mais importantes padrões de divulgação: o IFRS S1 e o IFRS S2.
Essas normas formam a base de um novo modelo de relatório global, que está sendo adotado por jurisdições em todo o mundo, incluindo o Brasil, através da adaptação local por meio das normas CBPS 1 e CBPS 2.
A Origem da Mudança: International Sustainability Standards Board (ISSB)
Criado em 2021 pela IFRS Foundation (a mesma responsável pelas IFRS, as normas contábeis internacionais), o ISSB nasceu com a missão de desenvolver uma base global e abrangente de padrões de divulgação de informações de sustentabilidade para o mercado de capitais.
O grande diferencial do ISSB é a sua perspectiva de materialidade financeira. Enquanto padrões anteriores (como o GRI) focavam em impactos socioambientais para uma ampla gama de stakeholders (a chamada “materialidade de impacto”), as normas IFRS S focam em como os riscos e oportunidades de sustentabilidade afetam o fluxo de caixa, o acesso a financiamento e o custo de capital da própria empresa, ou seja, a “materialidade financeira”.
Pilares da Divulgação: IFRS S1 e IFRS S2
- IFRS S1 – Requisitos Gerais para Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade
O IFRS S1 funciona como a espinha dorsal de todo novo relatório. Seu objetivo principal é estabelecer a estrutura conceitual para que as empresas divulguem todas as informações materiais sobre riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade que são relevantes para investidores, credores e outros fornecedores de capital.
A norma exige que as divulgações sejam estruturadas em torno de quatro pilares de governança.
- Governança: Como a empresa supervisiona e gerencia os riscos e oportunidades de sustentabilidade.
- Estratégia: Os impactos dos riscos e oportunidades na estratégia, no modelo de negócios e no planejamento financeiro da empresa.
- Gestão de Riscos: Os processos usados pela empresa para identificar, avaliar e gerenciar riscos relacionados à sustentabilidade.
- Métricas e Metas: Os indicadores de desempenho usados para avaliar a performance da empresa em relação aos riscos e oportunidades identificados.
- IFRS S2 – Divulgações Relacionadas ao Clima
O IFRS S2 é a primeira norma temática do ISSB e se concentra exclusivamente em riscos e oportunidades relacionados ao clima.
O S2 exige que as companhias:
- Identifiquem Riscos Climáticos: Tanto os riscos físicos (eventos climáticos extremos) quanto os riscos de transição (políticas, tecnologias e mudanças de mercado relacionadas à transição para uma economia de baixo carbono).
- Realizem Análise de Cenários: Avaliem a resiliência de suas estratégias em diferentes cenários climáticos, como um aumento de temperatura de 1,5°C ou 2°C.
- Divulguem Emissões de GEE (GHG): A divulgação das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) é mandatória e deve incluir os Escopos 1, 2 e 3 (as emissões de toda a cadeia de valor), a menos que a divulgação do Escopo 3 seja tecnicamente inviável.
A Implementação no Brasil: CBPS 1 e CBPS 2
No Brasil, a adaptação dos padrões ISSB é liderada pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
As normas brasileiras correspondentes são:
- CBPS 1: Equivalente ao IFRS S1.
- CBPS 2: Equivalente ao IFRS S2.
A Comissão de Valores Mobiliários já aprovou regulamentações que determinam que as companhias abertas (aquelas com ações negociadas em bolsa) terão que elaborar esses relatórios de sustentabilidade de forma integrada às demonstrações financeiras.
Prazos e Obrigatoriedade no Brasil:
A obrigatoriedade das normas (CBPS 1 e CBPS 2) se dará para o exercício social iniciado em ou após 1º de janeiro de 2026. Isso significa que as empresas farão sua primeira divulgação obrigatória em 2027, referente aos dados de 2026. Há previsão de adoção voluntária para o exercício de 2025.
O Que Significam as Siglas dos Novos Padrões de Sustentabilidade
A mudança que está ocorrendo é uma adaptação de padrões globais (IFRS S1 e IFRS S2) para a realidade brasileira (CBPS 1 e CBPS 2).
ISSB (International Sustainability Standards Board), organização por trás das normas IFRS S.
- O que é: É o Conselho Internacional para Padrões de Sustentabilidade.
- Função: Criar uma base global de padrões de divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade, focada na materialidade financeira (como os riscos ESG afetam o valor da empresa).
Padrões Globais
As normas IFRS S1 e IFRS S2 são os primeiros pilares emitidos pelo ISSB e representam a padronização global.
- IFRS S1
- Nome Completo: International Financial Reporting Standard S1 (Padrão Internacional de Relato Financeiro S1).
- O que Representa: Os Requisitos Gerais para Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade.
- Função: É o padrão “guarda-chuva”. Ele estabelece a estrutura conceitual e as regras gerais para que uma empresa divulgue todos os riscos e oportunidades de sustentabilidade (não apenas climáticos) que podem afetar seus fluxos de caixa e seu valor no curto, médio e longo prazo.
- IFRS S2
- Nome Completo: International Financial Reporting Standard S2 (Padrão Internacional de Relato Financeiro S2).
- O que Representa: As Divulgações Relacionadas ao Clima.
- Função: É o primeiro padrão temático, focado unicamente na divulgação de riscos e oportunidades climáticas. Ele exige que as empresas revelem como os fatores relacionados ao clima (como desastres naturais e a transição para energias limpas) impactam sua estratégia, além de exigir a divulgação das emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), incluindo os Escopos 1, 2 e 3.
Padrões Brasileiros (A Adaptação Nacional)
As normas CBPS 1 e CBPS 2 são as versões traduzidas e adaptadas para o contexto regulatório brasileiro, seguindo o modelo das IFRS S.
- CBPS (Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade)
- O que é: Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade.
- Função: É o órgão responsável por traduzir, adaptar e emitir os Pronunciamentos Técnicos de Sustentabilidade no Brasil, servindo como o espelho nacional do ISSB.
- CBPS 1 e CBPS 2
- O que Representam: São os Pronunciamentos Técnicos do CBPS que adaptam os padrões internacionais.
- CBPS 1: É o equivalente nacional do IFRS S1.
- CBPS 2: É o equivalente nacional do IFRS S2.
- Função: Eles definem os requisitos obrigatórios de divulgação de sustentabilidade para as companhias abertas no Brasil (regulamentadas pela CVM), garantindo que as empresas brasileiras adotem o padrão global de transparência.
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