Sabia Disso? O Banco Master Usou Sua Financeira Para Apoiar Projetos Culturais

Em meio à trama policialesca envolvendo Banco Master, gestora REAG e o Will Bank, pelo menos alguém se deu bem, legalmente: os proponentes que conseguiram R$ 4,3 milhões para seus projetos culturais.

Para entender o “imbróglio”, em fevereiro de 2024 o Banco Master adquiriu o Will Bank, fundado em 2017 e com produtos financeiros e condições de empréstimos voltados para a população desbancarizada, principalmente no Nordeste.

Seguiu-se uma ampla reestruturação societário. A Will Pagamentos, controladora do grupo, foi vendida para a gestora REAG, essa mesma que acabou de ser liquidada pelo Banco Central. O Master ficou com empresas que estavam embaixo dela e a Will Financeira entre elas.

E foi por meio da Will Financeira que o Banco Master resolveu utilizar a lei federal de incentivo naquele ano e, em decorrência, três grandes projetos foram beneficiados.

Principal aplicação foi para a Turnê do Balé Folclórico da Bahia, com o espetáculo “Herança Sagrada _ A Corte de Oxalá”, previsto para circular por diferentes Estados das Regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste.

Foram programadas apresentações nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo (02 apresentações), Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasília.

Como contrapartida social foram oferecidas oficinas e atividades interativas para 30 jovens talentos locais em cada cidade (São Paulo terá 2 workshops), com a frequência total, ao final da turnê, de 210 jovens nas contrapartidas.

Esse foi o projeto proposto pela Fundação Balé Folclórico da Bahia, e teve apoio integral do Banco, que garantiu o valor total aprovado: R$ 2.185.551,34.

O Ministério da Cultura confirmou a  execução do projeto e comprovação dos gastos efetuados

SÃO JOÃO – Outra ação que o Banco contribuiu fortemente foi a realização do São João de Campina Grande, um evento gigante que enfatiza as tradições nordestinas como o forró tradicional, a gastronomia típica, a decoração cenográfica e os demais ícones da popular festa junina. Os festejos são compostos pela apresentação de grupos folclóricos, quadrilhas juninas, feira de artesanato e gastronomia, além de shows de música regional.

No ano de 2024, a festa captou R$ 5.9 milhões, sendo R$ 1,2 milhão via Will Financeira. O restante foi bancado pela Petrobras, lembrando que esses números são referentes apenas com utilização da lei Rouanet, pois o volume total obtido por meio de patrocínio direto foi bem maior que isso.

O proponente foi Arte Produções de Eventos Artísticos e Locações Ltda., que apresentou prestação de contas.

Mas houve um terceiro projeto patrocinado, em menor volume e perfil bem diferente dos dois primeiros, além de ter-se realizado na região Norte.

Ele teve o nome de Cosmologia Colérica – Thiago Martins e foi a primeira exposição individual do artista Thiago Martins de Melo em São Luís (MA). A mostra traçou um panorama de duas décadas de produção do artista, nascido em 1981 na capital maranhense.

Mais uma vez o Banco Master, por meio da Will Financeira, bancou a totalidade da proposta: R$ 934.296,00.

O proponente, Brazimage Produção de Imagens Ltda., teve a execução do projeto confirmada e a comprovação dos gastos efetuados.

SOBREVIVÊNCIA – O Will Bank pertence ao conglomerado do Master, mas está registrado sob a licença do Banco Master Múltiplo, que não foi liquidado, pelo menos até agora*.

O banco digital, com cerca de 10 milhões de clientes, foi salvo da liquidação por ser considerado potencialmente recuperável.  O Banco Master Múltiplo continua funcionando sob controle do BC.

Pelo menos, durante um período, ele conseguiu fazer aplicações em ativos que beneficiaram proponentes e a sociedade comprovadamente realizadas e auditadas.

*P.S.: No dia 21 de janeiro de 2026, cinco dias após a publicação dessa matéria, o Banco Central anunciou a liquidação da Will Financeira. 

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