Esta Plataforma Vai Além de Divulgar Eventos. Ela Quer Financiar Produtores

Eduardo Martins*

O nome da plataforma é Blepauze. O que isso significa? Seus criadores afirmam que ela é uma junção de “Be Applaused”, expressão inglesa que pode ser traduzida como “seja aplaudido”. Recém lançada no mercado, chegou com o propósito de reunir em um só lugar as programações de standups, shows de pop, rock e samba, peças teatrais de comédia, dramas, infantil e musicais, exposições em museus e centros culturais, e o que mais estiver rolando nessa área de diversão, onde qualquer um poderá pesquisar gratuitamente o melhor do entretenimento nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte (por enquanto).

A plataforma funciona como uma vitrine para artistas e organizações, que podem divulgar as atrações sem custo algum. Chegou no mercado com parceiros de peso como Teatro Casa Grande, Qualistage, Vivo Rio, Teatro Itália Bandeirantes, Teatro Gazeta, e já nos primeiros dias mais de mil eventos foram cadastrados.

Mas qual é sua história e o que realmente pretende? As respostas foram dadas por seu próprio criador, Claudio Gandelman, que em outros tempos já foi fundador da Bronze Ventures, da plataforma de audiolivros Auti Books e possui o aplicativo DeliRec para os chegados a uma gastronomia.

“Nosso objetivo é auxiliar as pessoas a encontrarem tudo o que está acontecendo na sua cidade, ganhar desconto em eventos e espetáculos e ainda ajudar a incentivar a cultura do Brasil”, diz ele.

Os planos são ambiciosos e o modelo de negócio passa pela criação de um Fundo de Investimento à Cultura onde parte das mensalidades pagas por assinantes e 10% do faturamento servirão para patrocinar projetos de produtores iniciantes com até R$ 100 mil por projeto. E a meta é ter 300 mil filiados até o final do ano. Logo, logo a Beplauze.com ampliará operações para as cidades de Salvador, Fortaleza e Brasília e, para os próximos meses, Curitiba, Recife, Manaus, Goiânia e Porto Alegre. 

Acompanhe a entrevista de Claudio Gandelman à Marketing Cultural/Valor Cultural e saiba exatamente como tudo funcionará.

EDUARDO MARTINS Gostaria que você explicasse para nossos leitores como a plataforma funciona, seus objetivos e as razões pelas quais foi criada.

Claudio Gandelman, CEO da Beplauze

CLAUDIO GANDELMAN – Na verdade a  Blepauze nasceu por um caminho meio enviesado. Eu fui ver uma peça e no final da peça, a turma falou, pô, essa peça foi montada com o dinheiro do aniversário de 30 anos, mas agora a gente precisa de ajuda para dar continuidade, precisando de caixa, precisando de investidor, alguém que patrocine a gente. Eu me empolguei e fui conversar com um amigo meu que é dono do teatro pra ver se esse tipo negócio era viável, enfim, se fazia sentido. E ele falou que talvez eu perdesse mais dinheiro que gostaria e disse, olha, mas tem uma forma de ajudar a cultura, e hoje tem uma bola quicando porque ninguém sabe mais o que tá passando e onde; ninguém sabe o que que está acontecendo no teatro com a diminuição da grande mídia, e os cadernos de cultura ficaram muito sintetizados. E tem uma bola quicando aí. A cultura precisa, o teatro precisa de ajuda. E aí resolvi expandir isso e aumentei não só para teatro, mas também para shows e festas, todas as manifestações culturais. E começamos a consolidar como ia ser e resolvemos que ia ser um negócio totalmente gratuito, tanto para os eventos,  pros artistas e para as casas de show.

Mas a gente resolveu fazer uma forma onde todo mundo ganhasse. Como todo mundo poderia ganhar? Se os teatros, os shows enchessem mais as casas, se o público ganhasse um desconto e se todos soubessem onde as coisas estão acontecendo, isso poderia ser muito importante para a cultura. Então as casas, várias casas de espetáculo se propõem a dar um desconto. A gente cobra uma assinatura para quem quer comprar as coisas com desconto, que é uma assinatura super barata, custa R$ 9,90, então considerando que um espetáculo muito barato custa em torno de R$ 50, e se a pessoa assinar e comprar dois ingressos, já está paga essa fatura. Esse é o nosso conceito.

EM – Mas vocês resolveram criar um Fundo também. Fale sobre ele.

CG – A gente resolveu expandir esse negócio mais ainda e montou, num primeiro momento, esse lugar onde as casas se apresentam, onde estão acontecendo as coisas culturais. E no segundo momento, decidimos que as 3 primeiras mensalidades a gente iria direcionar para um fundo de investimento em cultura para artistas iniciantes, que é talvez quem tenha mais dificuldade em apresentar a sua arte de forma geral. E depois disso, 10% de todo o nosso faturamento a gente continua também direcionando para esse fundo de fomento à cultura. Ou seja, a gente conseguiu, acho, montar um negócio que é interessante para todos os participantes do mercado cultural, seja para as casas de show, seja para os espetáculos, seja para o público.

EME o que vocês vão fazer com esse Fundo. Como ele vai funcionar?

CG – A gente vai ter uma curadoria para esse Fundo, por um comitê com pessoas de cultura ligadas a artes cênicas, artes plásticas, audiovisual, e a gente seleciona projetos, em função da arrecadação da empresa, para patrocinar. Então, considerando que cada projeto precisa de pelo menos R$100 mil para ser patrocinado para montar um espetáculo, a gente direciona a verba para esses artistas.

EM E para se candidatar a esse Fundo, como faz?

CG – Ainda não chegamos nessa parte, mas na verdade a gente vai atrás das pessoas, essa é a primeira forma, mas depois elas vão poder se candidatar através de um blog que a gente está criando para que as pessoas submetam seus pleitos.

EM A maioria dos eventos culturais, hoje, especialmente Teatro, são com leis de incentivo. Vocês vão dar alguma preferência para quem tem ou não tem lei?

CG – Não, o que a gente vai estar fazendo é uma avaliação, feita pelas pessoas de cultura que estão nesse comitê, e em função da avaliação delas a gente vai patrocinar e obviamente, vai muito mais da capacidade dessa turma de realmente criar algo relevante. E mesmo que ela esteja começando, enfim, tem que ser alguém que tenha talento, que tenha um potencial, até porque isso vai se reverter para aquelas pessoas que ajudaram no começo. Então os os eventos que a gente patrocina vão oferecer 50% no mínimo de desconto dentro do habitual, ou seja, ele reverte de novo para aquelas pessoas que ajudaram lá atrás a fazer esses eventos funcionarem.

EME quantas assinaturas você já têm hoje?

CG – A gente começou há três semanas, mas a gente hoje está com mais ou menos 1.000 usuários por dia.

Meta é atingir 300 mil assinantes até o final do ano e patrocinar 15 a 30 projetos por mês

EME qual é a perspectiva de vocês?

CG – A gente quer fechar o ano com 300 mil assinaturas. Essa é nossa expectativa.

EME você já tem quantos eventos na plataforma?

CG – Hoje a gente tem 1.100 eventos cadastrados e 20% deles já têm desconto para os assinantes.

EMGostaria de falar mais sobre esse Fundo, que é muito interessante. Por exemplo: ele vai bancar exclusivamente uma peça, ou ele pode entrar com parte.

CG – Com parte. Até porque a gente não queria ser patrocinador único. A gente gostaria de complementar algo. Até porque normalmente  quando a pessoa vai fazer uma peça fazer um show ela já tem alguma verba para fazer esse show. A gente quer complementar e garantir que isso vai acontecer. A gente quer ter Governança, porque no aspecto ESG  a gente está trabalhando bastante isso. A parte de Sustentabilidade, a parte de Governança a gente quer ter isso muito forte. Especialmente na parte de Sustentabilidade, no sentido de que não é um negócio que a gente vai lá, patrocina, e dois meses depois morre. Então, por isso que também, para frente, sempre 10% de tudo que a gente faturar vai ser revertido para esse fundo de cultura, porque é isso que vai garantir a sustentabilidade desse programa.

EMVocê falou que a meta é ter 300 mil assinaturas, então vocês vão ter um Fundo poderoso.

CG – Essa é a expectativa. Que a gente tenha um Fundo que possa ajudar bastante gente.

EMVocês têm uma ideia de quantos projetos, com essa verba, vocês poderão patrocinar?

CG – Se tudo correr bem, com essa verba a gente vai patrocinar entre 15 e 30 projetos por mês. Essa é nossa meta, que é bastante.

EM E quando vai começar?

CG – Com as primeiras assinaturas, que tem um mês de gratuidade, e que muitos têm cupons, então a gente começa a faturar agora em setembro e a ideia é que em outubro a gente comece a ter os primeiros eventos.

EMMas fale um pouco sobre você, a tua história… Vamos conhecê-lo.

CG – Eu sempre tive uma vida executiva, comecei trabalhando em Banco – não era dono de Banco, era bancário mesmo – depois fui trabalhar na internet e uso internet desde 1998. Depois voltei pro mercado financeiro, fui sócio da Ágora, que é uma corretora, depois fui presidente do Match.com, que é dono do Tinder e do Par Perfeito, fui vice-presidente da Oracle, montei alguns negócios, quebrei, já outros deram certo. Já trabalhei em outras áreas da cultura, já tive uma empresa de audiobooks, que era super interessante também, e agora tenho uma empresa de aplicativo de culinária, e agora a Blepauze. Faço bastante coisa.

Eu sou realmente um apaixonado por cultura e acho que cultura muda as pessoas de verdade. Acho que com esse Fundo aí a expectativa é que a gente gere milhares de empregos na indústria.

EM Acho que perguntei tudo o que queria. Você tem alguma coisa que ache interessante acrescentar?

CG – Eu estou com expectativa que a comunidade da cultura se junte a esse nosso projeto de forma grande porque, se a gente conseguir fazer com que todo mundo se junte, e, como te falei, das três mensalidades voltar de volta pra cultura, mais 10%, são 12 meses dando de volta o que a gente recebe, a gente vai ter ferramenta muito poderosa de forma geral para a cultura. Acho que isso é uma coisa importante para a gente compartilhar com você.

EMVocê tocou num ponto interessante, que é o reverso. Você aplica nos projetos e ele, de alguma forma, vai reverter para os assinantes da sua plataforma. Explica um pouco mais sobre isso.

CG – Imagina que a gente patrocinou um artista na música, por exemplo. Quando ele vai fazer um show, seja pequeno ou grande, a contrapartida que a gente espera é que ele dê 50% de desconto, pelo menos, para os assinantes da plataforma. Ou seja, aquela pessoa que ajudou aquele negócio acontecer vai receber 50% de desconto no futuro. A mesma coisa vale para peças, artes plásticas, enfim. Eu acho que é uma forma de a gente conseguir fazer essa roda ser boa para todo mundo, não é? Ou seja, a pessoa que assina está ajudando a cultura de alguma forma e depois essa parte cultural vai voltar para ele na forma de desconto. Então ajuda ao mesmo tempo a encher o espetáculo, porque a gente vai ter uma base muito interessante, e está dando de volta para quem conseguiu ajudar no passado. Então, assim, estamos criando um ciclo virtuoso nesse sentido.

*É Editor-Chefe de VALOR CULTURAL/Marketing Cultural, que têm entre seus propósitos dar visibilidade a bons projetos ou ações, valorizar empresas que praticam patrocínios conscientes e apontar aquelas que fingem ser o que não são no campo da Responsabilidade Social.

SERVIÇO

Sitehttps://www.beplauze.com/ 

Instagram: https://www.instagram.com/beplauze.sp/ 

Twitter: https://twitter.com/beplauze 

TikTok: https://www.tiktok.com/@beplauze?_t=8e5uOCFhatX&_r=1 

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