Música ao Vivo: Setor Vê Prejuízo de 3 Bilhões e Impacta 1 Milhão de Profissionais

Prejuízo de R$ 3 bilhões ao setor, impactando 1 milhão de profissionais. Esses são apenas dois aspectos da pesquisa realizada pelo DATA SIM entre 17 e 23 de março, que obteve respostas de 536 Micro Empreendedores Individuais que atuam nas áreas de Produção, Sonorização e Iluminação. Essas empresas fazem parte de um universo de 62 mil MEIs registradas no Ministério da Fazenda. Foram identificados outros 294 profissionais que não têm CNPJ próprio e, por isso, suas respostas não foram contabilizadas nos resultados.

O tema do levantamento foi COVID-19 – Impacto no Mercado da Música no Brasil e constatou ainda que, dos impactos relatados,  81,2% apontaram Adiamentos, 77,4% Cancelamentos, 66,8% Diminuição do Ritmo de Trabalho e 63,2% Interrupção das Atividades. Foram 8.141 eventos afetados, atingindo, diretamente, público estimado em 8 milhões de pessoas.

Os dados apresentam um panorama de empresas de diversas áreas como produtoras de festivais, agências de booking, casas de show, além de fornecedores e parceiros, que vão do aluguel de equipamentos à logística de transporte e hospedagem, envolvendo milhares de profissionais em suas operações.

Segundo os autores, para além de prejuízos e falências, os cancelamentos/adiamentos de shows podem ter consequências estruturais no setor. Com maior capital de giro e poder de negociação com agências e empresas de representação artística, os gigantes na área de promoção de eventos poderão sufocar os promotores independentes. É preciso que haja cuidado e preocupação com os promotores e produtores independentes, de menor porte, que abrigam os grandes números de empregos e ocupações e são os responsáveis pela manutenção e renovação das cenas locais que alimentam a grande indústria.

Conclui ainda que majors, grandes editoras, distribuidores digitais e plataformas de streaming, a indústria de instrumentos e equipamentos, e grandes players do mercado devem agir defendendo e cooperando na recuperação deste setor, buscando um período de melhor distribuição de esforços e recursos.

POUCOS SINDICALIZADOS – Um dos fatores que impactam o momento de crise, conforme o DATA SIM, é  o baixo associativismo (pesquisa apontou que 77% não têm representação de classe), um problema antigo no Brasil. Alguns países têm anunciado medidas de recuperação através de entidades nacionais representativas dos diversos setores do ecossistema da música. No Brasil a falta de uma entidade de âmbito nacional que dialogue com todos os segmentos produtivos, somada à fragilidade institucional das instâncias governamentais, tem impedido que ações sistêmicas e efetivas sejam encaminhadas com a urgência necessária.

A pesquisa conclui que o associativismo, a busca de entidades múltiplas que possam representar com legitimidade e expressar as necessidades de cada um dos diferentes aspectos da cadeia de produção da Música Brasileira, deveria ser a coroação desse processo inédito de crise, desta oportunidade de reflexão e conexão. Da mesma forma, seria desejável a consolidação orgânica de uma federação associativa do setor, que congregue de forma horizontal e democrática os interesses das diversas categorias profissionais da música. A oportunidade estaria em não reproduzir velhas práticas políticas (ligadas a lobbies específicos já consolidados na representação do setor) e dar voz às múltiplas iniciativas de organização que surgiram no período e que recolocam em novos termos as lutas históricas do setor.

Para Dani Ribas, diretora de pesquisas do DATA SIM, “esses números ajudam a pensar em ações concretas para o setor, composto por muitos interesses, a maioria sem uma representação ou associação de classe. É hora de pensarmos coletivamente para identificarmos interesses comuns e nos organizarmos, de maneira orgânica. Não há espaço para pensarmos que uma única iniciativa vai liderar esse processo de cima pra baixo. É hora de aproveitarmos as iniciativas que surgiram autonomamente em diversas partes do país para repensar toda a organização política do setor”.

QUEM É – DATA SIM é o núcleo de pesquisa e organização de dados e informações sobre o mercado musical da Semana Internacional de Música de São Paulo – SIM São Paulo. Ele produz dados e análises que subsidiam a elaboração de estratégias de ação para o setor musical, com o objetivo de incrementar e tornar mensuráveis seus benefícios econômicos e sociais, além de desenvolver pesquisas, estudos e mapeamentos do mercado da música, com foco em cidades e produzir dados primários e inéditos sobre o mercado musical.

SERVIÇO

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