Conheça o Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns, que conseguiu trazer, para o interior de Pernambuco, referência na área e visibilidade para a cidade.
Muitas vezes os projetos são focados em cidades grandes ou capitais dos Estados, mas não é o caso dessa história. Um dos pólos econômicos e culturais de Pernambuco, Garanhuns, cidade de 137 mil habitantes localizada no agreste, já possui festivais internacionais reconhecidos na área cultural. O Festival Internacional de Literatura Infantil é um deles.

O Festival surgiu por um caminho oposto ao percorrido, em geral, por um projeto cultural. Aqui, o patrocinador foi quem quis fazer algo pela cidade e tomou a iniciativa de buscar quem fizesse. E o resultado foi um verdadeiro sucesso.
O evento busca fomentar a leitura através de uma abordagem voltada para o mundo infantil, embora o público seja variado. Atividades como ateliês e oficinas de formação, bate-papo com autores nacionais e internacionais, espaços de leitura, palestras com convidados nacionais e internacionais e intervenções literárias nos espaços públicos da cidade são alguns dos pontos fortes da programação. Como comenta Camila Bandeira, uma das idealizadoras do projeto:
“O Festival, em si, são em quatro dias, de quinta a domingo, normalmente no mês de outubro, com uma programação repleta de atividades como bate-papo e oficinas com os autores, mesas de diálogo voltadas para um público adulto, apresentações artísticas, exposições, feira de livros, espaços abertos de leitura, sessões de leituras abertas. É o dia inteiro com atividades para crianças de todas as idades e isso engloba criança, adulto e idoso. Os temas são infantis, mas o Festival é para crianças de todas as idades, é assim que chamamos.”
DESENHO ÚNICO – Pensando em trazer melhoria para a cidade, a empresa de materiais de construção Ferreira Costa desejou ver desenvolvido um projeto que beneficiasse a população de Garanhuns, que contribuísse, de alguma forma, para a melhoria na vida dos habitantes da cidade. Por isso, o FILIG foi pensado e realizado especialmente para Garanhuns e região, com a ajuda da empresa pernambucana Proa Cultural.

“Nos foi passado um “briefing” que seria focado em literatura e voltado para crianças, por acreditar nesse poder de transformação da leitura, de mudar a visão de mundo desde criança. E então depois disso, a partir desse ‘briefing’ a Proa desenvolveu o projeto. O escopo do projeto como ele é atualmente, fomos nós da Proa que idealizamos. Esse formato de ser uma série de ações de formação ao longo do ano, que culminam com o Festival, foi uma ideia nossa e eles gostaram muito”, disse Camila Bandeira, diretora da Proa Cultural.
“No começo eles nos remuneraram para elaborar o projeto, que foi justamente a pesquisa que fizemos em Garanhuns, mergulhando no universo da literatura, conhecendo a vocação da cidade, para poder montar um projeto que fosse condizente com a realidade de lá e que trouxesse resultados adaptados à necessidade local. Para fazermos essa elaboração durou alguns meses, cerca de sete meses, e a Ferreira Costa investiu verba direta. A partir do momento em que a gente elaborou o projeto, submeteu-o à lei Rouanet e aprovou, já ficou sendo através de lei de incentivo e assim sucessivamente.”
Pietra Ferreira da Costa, diretora da Ferreira Costa, explica que o projeto foi idealizado para levar a Garanhuns um evento que ficasse marcado no calendário da cidade:
“Foi então que conhecemos as meninas da Proa, e fizemos contato com elas para montarem um projeto para a Ferreira Costa. Inclusive, para fazê-lo, nós pagamos, e elas fizeram o projeto do jeito que entendemos que seria bom para a cidade de Garanhuns… Nós queríamos um evento que ficasse no calendário da cidade…então o festival já foi criado nessa proposta, de passar o ano todo fazendo um trabalho nas escolas, capacitando o dinamizador de leitura, o contador de história nas escolas, e no fim, mais ou menos perto ao dia das crianças, nós faríamos uma culminância dessas atividades.”
A Proa Cultural foi remunerada pela Ferreira Costa, através de pagamento direto, para a idealização do projeto. A verba aprovada pelo Ministério foi de R$ 500 mil, que poderão ser deduzidos do Imposto de Renda devido pela empresa.
Em função da pesquisa, o resultado chegou muito além de um Festival com duração de quatro dias. As atividades estão presentes durante todo o ano com oficinas periódicas e continuadas com profissionais de escolas, bibliotecas e da área de leitura. Essas intervenções culminam nos quatro dias gratuitos do FILIG, que normalmente acontece no mês de outubro.
PODCAST: Produtora conta como desenvolveu o projeto.
Em 2017, na terceira edição do Festival, o FILIG recebeu a presença do ilustrador mexicano Gabriel Pacheco, ganhador de vários prêmios internacionais, e que aceitou ministrar uma oficina de criação para o Festival. Nas últimas edições também compareceram personalidades, escritores e ilustradores internacionais como Miguel Tanco (Espanha), Anabella López (Argentina) e Anna Laura Cantone (Itália).
Já no grupo de brasileiros, o Festival contou com a presença de escritores e ilustradores como Leo Cunha, Rosinha, Lenice Gomes e André Neve, Odilon Moraes, Renato Mariconi, Tino Freiras, entre outros artistas que representam a cena literária infantil do país. Além das oficinas e bate-papo com escritores e ilustradores, o Festival também recebe palestras de profissionais de editoras brasileiras abordando o mercado dos livros no país.
Além da empresa, o Festival também conta com outros apoiadores que ajudam a realizar o projeto de diferentes formas. A prefeitura de Garanhuns, junto à Secretaria da Educação, trabalha para desenvolver as atividades nas bibliotecas e escolas ao longo do ano. Já o Sesc é um forte parceiro do FILIG cedendo boa parte de sua estrutura para a realização do Festival e, por fim, a CEPE, Companhia Editora de Pernambuco, que também ajuda na parte de estrutura física, principalmente da feira de literatura.

FUTURO – Com quatro dias intensos de programação gratuita, e mais atividades que são realizadas ao longo do ano, o FILIG recebe em média 2 mil visitantes a cada edição. Esse projeto, além de reafirmar o título de Garanhuns como polo econômico e cultural, traz, principalmente, um forte incentivo à literatura e ao desenvolvimento da população e da região do agreste pernambucano.
PODCAST: Íntegra da entrevista com presidente da instituição.
Para o futuro, a ideia é expandir. O Festival já está há três edições tocando cada vez mais pessoas e transformando a região do agreste e sertão como pontos fortemente desenvolvidos no setor de literatura e cultura. E continua buscando crescer cada vez mais. Assim fortalece Camila, em seu depoimento:
“A curto prazo, a intenção é continuar em Garanhuns, mas atingir cada vez mais os municípios vizinhos. Garanhuns é um polo, principalmente cultural aqui no Estado, e um polo econômico no interior. A nossa ideia, pelo menos a curto prazo, é continuar em Garanhuns, mas expandir para os municípios vizinhos do agreste e sertão. Foi intencional esses três primeiros anos focarmos no local, para poder ganhar ‘know-how’ e ‘expertise’, poder fazer um nome e fazer o Festival crescer, e vem crescendo. Para pouco a pouco irmos expandindo. Então, começamos localmente, mas a ideia é expandir. Um passo após o outro.”
Quanto ao futuro, Pietra Ferreira de Costa, reafirma o desejo de ampliar as atividades do FILIG para as cidades vizinhas de Garanhuns:
“A gente entende que esse é um projeto que não vamos ter resultados hoje, é um trabalho de longo prazo, mas educação é isso aí. Quem quiser investir em educação tem que estar preparado para isso. Não vai colher hoje. Nós sempre tivemos uma responsabilidade na utilização do recurso, entendendo que se a gente não tiver essa responsabilidade, não tem porque ficar com ele… As meninas da Proa sempre atenderam tudo que a gente imaginava, com relação ao projeto, e estamos aí até hoje, tentando divulgar mais, difundir mais, até tentar replicar para as outras cidades que a gente tem filial, pelo menos algumas atividades, mensalmente, um evento de escambo de livro ou alguma iniciativa que faça o livro rodar mais, não ficar preso em um só lugar.”
CIDADE DAS FLORES – Localizada no agreste pernambucano, Garanhuns é conhecida como um dos polos econômicos e culturais da região por desenvolver o comércio e atrair turistas por seus eventos marcantes durante o ano. Com apenas 137 mil habitantes e temperatura de até 8º no inverno, a cidade também é um dos polos de saúde e educação da região, contando com vários hospitais e três universidades UPE (Universidade de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e a AESGA – Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns.
Dentre a programação cultural está o FIG – Festival de Inverno de Garanhuns, muito conhecido no estado de Pernambuco reunindo artistas consagrados no país, e o Festival de Jazz de Garanhuns, que acontece desde 2004 com programação nacional e internacional atraindo mais de 30 mil pessoas à cidade.
FERREIRA COSTA – A empresa Ferreira Costa intitula-se como o maior Home Center do Norte e Nordeste, ocupando 5º lugar no ranking nacional de varejistas. Disponibiliza em cada uma das lojas mais de 75 mil itens para casa e construção, entre utilidades domésticas, decoração, móveis, eletrodomésticos, equipamentos para bares e restaurantes e setor automotivo.
É patrocinadora cultural desde 2009, com interesse principal em livros e eventos literários, mas já apoiou ações de diversos outros segmentos. Já fez uso em torno de R$ 4,5 milhões só com lei Rouanet.
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