Streaming e o Diagnóstico Pós Pandemia

Se a pandemia de covid fez bem a alguém, foi à saúde financeira das plataformas de streaming. Somente no segundo trimestre de 2021 a Netflix teve lucro líquido de US$ 1,35 bilhão, aproximadamente 87% maior do que relatado no mesmo período do ano passado. Essa plataforma global, lançada em 2007, atingiu a audiência de 209 milhões de clientes pagantes naquele mesmo período – 16 milhões a mais do que em 2020.

Mas e agora, quando a pandemia está mais controlada e as pessoas voltaram, em grande parte, a ter atividades externas parecidas às que mantinham antes dos “lockdowns”?

Durante setembro de 2021, a Sherlock Communications entrou em contato com 3.275 pessoas que vivem na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, no México e no Peru por meio da plataforma de pesquisa Toluna. Quase metade (44%) dos entrevistados tinha entre 18 e 34 anos, outros 43% estavam na faixa de 35 até 54 anos, enquanto os 13% restantes tinham mais de 55 anos.

E o que se pode revelar sobre os resultados obtidos sobre o Brasil e aqueles outros países da América Latina?

Um dos detalhes é que a Netflix é a plataforma preferida em todos eles, mas a região está longe de oferecer à empresa seus melhores resultados – enquanto EUA e Canadá mostram crescimento anual de 10%, a Ásia-Pacífico 9%, os 39 milhões de assinantes na AL apresentam crescimento regional ano-a-ano de apenas 1%.

Dado curioso é que a Netflix não é a plataforma de streaming que mais tem assinantes no Brasil – é a Globoplay. Mas ela não é a primeira opção escolhida pelos brasileiros caso tivessem que escolher apenas um serviço de assinatura – somente 6% dos pesquisados a escolheriam, enquanto outros 63% dariam preferência à líder americana.

As restrições em relação ao distanciamento diminuíram consideravelmente à medida em que a aplicação da vacina se espalha pela América Latina. Quase todas as escolas foram reabertas e as empresas estão começando a chamar seus funcionários de volta ao escritório. Mas, como o ‘novo normal’ afeta o comportamento de streaming das pessoas na América Latina?

Usando a plataforma de pesquisa Toluna, a Sherlock Communications perguntou a mais de 3.000 entrevistados como eles achavam que o relaxamento das restrições impactaria no consumo de streaming – metade das pessoas na região disse que não faria qualquer diferença e que seu comportamento permaneceria o mesmo.

Três em cada dez pessoas (30%) entrevistadas disseram que atualmente assinam apenas uma plataforma, enquanto 29% assinam duas. O Brasil tem a maior proporção de pessoas que não assinam nenhum serviço – 13% – um aumento de 88% a partir de 2020, quando 7% disseram não pagar pelo conteúdo.

Os participantes da pesquisa foram questionados sobre os motivos que os levariam a cancelar a assinatura de certas plataformas. A seguinte lista foi apresentada e foram convidados a escolher até três opções: aumento da taxa de assinatura; necessidade reduzida de tal entretenimento devido à reabertura de outras opções de lazer; conteúdo desatualizado em plataformas; novo conteúdo que não é de interesse; plataformas que não mostram mais programas favoritos; estar cansado de consumir conteúdo de streaming; não há planos para reduzir o tempo gasto em streaming; planeja aumentar o tempo de streaming e nenhuma das opções acima.

O aumento nas taxas de assinatura foi de longe a maior razão da mudança de comportamento no consumo de streaming; regionalmente, 57% disseram que isso seria um fator decisivo para cancelar a assinatura. Esse sentimento foi expresso com mais força na Argentina, onde 65% dos participantes da pesquisa o citaram como o principal motivo para se desassociar das plataformas de streaming. No Brasil, 59% sentiram o mesmo.

O conteúdo é outro fator de grande importância, com uma a cada quatro pessoas (38%) na região dizendo que cancelariam a assinatura de uma plataforma se seus programas favoritos não estivessem mais disponíveis lá.

Em uma carta aos acionistas em julho de 2021, a Netflix disse que a pandemia global havia causado atrasos na produção de novos conteúdos, mas o aumento do investimento nas produções em 2021 (41% a mais em relação ao ano passado) significa que muitos novos títulos e séries estão a caminho.

A empresa também anunciou que está “nos estágios iniciais de sua expansão para jogos, com base nos esforços anteriores em torno da interatividade”, acrescentando que os jogos são uma “nova categoria de conteúdo para nós, semelhante à nossa expansão para filmes originais, animação e tv sem roteiro.”

Os jogos serão introduzidos para usuários móveis sem nenhum custo adicional, disse a empresa. “Já que estamos há quase uma década em nosso avanço da programação original, achamos que é o momento certo para aprender mais sobre como nossos membros valorizam os jogos”.

ANÚNCIOS – Uma das principais vantagens do streaming sempre foi o fato de que os consumidores foram poupados de assistir a anúncios, geralmente sobre itens de pouco ou nenhum interesse. Mas, à medida que se consegue mais e mais assinaturas, as contas mensais de entretenimento estão aumentando.

Pesquisa publicada em junho de 2021 pela Hub Entertainment Research sugere que as marés podem estar mudando quando se trata do consumo de publicidade. Embora ela tenha sido realizada nos Estados Unidos, algumas descobertas também podem ser verdadeiras para a América Latina.

Mais de 3.000 adultos nos Estados Unidos foram solicitados a escolher entre três serviços de TV com conteúdo idêntico e 41% disseram que assistiriam a um serviço gratuito com anúncios, enquanto 33% relataram que prefeririam assistir a um serviço pago sem anúncios na plataforma. Outros 26% disseram que escolheriam um serviço em camadas – um que ofereça suporte tanto para opções pagas quanto para anúncios.

Seis em cada dez pessoas nos EUA disseram que queriam economizar dinheiro e “se assistir a anúncios custar US$ 4 a US$ 5 menos do que assistir sem anúncios, vou escolher essa opção”. Os pesquisadores concluíram que os consumidores não se importam em assistir anúncios, desde que não sejam excessivos e não demorem muito. Aqueles que viram o mesmo anúncio repetido várias vezes durante o mesmo programa ficaram menos satisfeitos do que aqueles que viram anúncios diferentes, enquanto os consumidores também relataram que gostaram de ver anúncios personalizados de acordo com seus interesses ou histórico de pesquisa.

IMPOSTOS – No Brasil as plataformas de streaming não pagam imposto por assinantes – em junho/21 o presidente da República vetou projeto de lei que isentaria as plataformas de streaming do pagamento de um imposto local denominado Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento Nacional da Indústria Cinematográfica) para cada título ou série transmitida. Mas esse veto foi derrubado pelo Congresso.

A Netflix aceitou a necessidade de pagar impostos por assinantes na França e na Espanha no início deste ano. A gigante de streaming, que foi lançada na Europa em 2014, normalmente emitia recibos pela empresa irmã Netflix International BV, localizada na Holanda, mas com base fiscal nas Ilhas Cayman. A partir de 1º de janeiro de 2021, todas as assinaturas na França e na Espanha seriam vendidas nesses países, o que, de acordo com a mídia francesa, geraria cerca de € 800 milhões.

Em fevereiro do ano passado, o Chile criou um imposto de 19% sobre serviços de streaming como Netflix e Spotify, independentemente de as empresas terem ou não alguma base lá. Na Argentina, um imposto de 35% foi cobrado sobre os pagamentos de assinatura feitos com cartão de crédito, tornando instantaneamente serviços como o Netlifx muito mais caros para os locais.

Para conhecer o relatório completo da Sherlock Communications clique aqui.

SERVIÇO

Sherlock Communications (www.sherlockcomms.com) é uma agência de relações públicas e marketing digital que ganhou vários prêmios na América Latina. Com sede em São Paulo, a empresa também possui escritórios em Lima, Bogotá, Santiago, Cidade do México, Buenos Aires, San José, Cidade do Panamá e Cidade da Guatemala.

A imagem da homepage é de MART PRODUCTION

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