Conheça os Dramáticos Efeitos da Covid Sobre a Economia Criativa

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Estudo quis analisar os efeitos da crise causado pela pandemia nas áreas culturais. (Foto Jhefferson Santos)

Mais da metade das Organizações Sociais tiveram de demitir funcionários e 65% fizeram alguma redução em contratos. Mas 45% dos profissionais e 42% das empresas conseguiram desenvolver novos projetos durante o período de isolamento social. E 12% dos indivíduos e 18% das organizações buscaram novas formas de geração de receita, como a antecipação de venda de ingressos, campanhas de doação ou de financiamento coletivo.

Estes são alguns dados aferidos após pesquisa denominada Impactos da Covid-19 na Economia Criativa, realizada pelo Observatório da Economia Criativa da Bahia, em parceria com o think tank cRio ESPM Rio, Instituto Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Objetivo do estudo foi analisar os efeitos da crise causada pela pandemia nas áreas culturais e gerar dados que ajudem na elaboração de ações para a retomada do setor. Ele apontou que a maioria dos profissionais recebe até três salários mínimos mensais e que 31,5% trabalham mais de 45 horas semanais. As reservas financeiras de 71,2% dos indivíduos e de 77,8% das organizações garantem apenas um período máximo de três meses de subsistência, sem geração adicional de renda.

Dado interessante é que 62% das organizações e 75% dos indivíduos nunca se beneficiaram de incentivo fiscal em qualquer dos níveis governamentais e os apoios municipais e estaduais são mais solicitados e acessados que os da esfera federal.

Para retomar as atividades da Economia Criativa, as empresas defendem a desoneração tributária, o perdão de dívidas e o apoio para o pagamento de funcionários. O auxílio emergencial é a medida mais defendida pelos indivíduos. A necessidade de treinamento e capacitação foi mencionada por aproximadamente ¼ dos respondentes. Além dos recursos financeiros, há uma grande demanda por treinamento, serviços e infraestrutura que possibilitem a adaptação das atividades ao ambiente digital.

A imprevisibilidade do lançamento de uma vacina e do retorno das atividades presenciais agrava a perspectiva do setor. Para 51% dos pesquisados não há como estimar a quantidade de cancelamentos de trabalho no segundo semestre do ano e 65% das organizações não conseguem fazer essa estimativa para 2021.

“A situação de vulnerabilidade a que profissionais e empreendimentos culturais e criativos estão submetidos neste período de pandemia é clara. Afinal, esse tipo de atividade presencial será o último a ser retomado”, afirmou Luciana Guilherme, pesquisadora do cRio ESPM. “A busca por alternativas de remuneração no ambiente digital tem sido evidenciada nas redes sociais nos últimos meses, embora os modelos e caminhos para a monetização ainda sejam pouco conhecidos pela maioria dos artistas e profissionais criativos”.

A familiaridade limitada com os mecanismos de financiamento realça a necessidade de procedimentos simples e acessíveis de acesso à Lei Aldir Blanc para que os recursos cheguem ao setor cultural de forma rápida e mais universal possível.

“O setor criativo foi duramente afetado em sua forma de subsistir e de existir, pois a coletividade, a presença e o convívio são centrais para a criação e a distribuição de grande parte dos produtos culturais”, diz Beth Ponte, pesquisadora do OBEC-BA. “Os resultados da pesquisa são relevantes para a compreensão do setor criativo no Brasil antes, durante e pós-pandemia.”

MEDIDAS – As sugestões de medidas para atenuar o efeito da pandemia no setor são:

Auxílio emergencial

Criação de editais simplificados e emergenciais

Oferta de linhas de crédito

Liberação de recursos de fundos culturais e setoriais

Desoneração tributária

Perdão de dívidas

Manutenção das organizações e apoio para pagamento de funcionários

Suspensão de contas de custeio

Pagamento de editais atrasados

Bolsas e prêmios

Compra ou contratação antecipada de bens, produtos e serviços culturais

DADOS – A pesquisa foi nacional e teve início em meados de março, se estendeu até 23 de julho, foi realizada remotamente e colheu informações de mais de 2 608 respondentes, sendo 969 organizações e 1 639 indivíduos, entre pessoas físicas e jurídicas das áreas culturais, artísticas e criativas do Brasil.

SERVIÇO

Sobre o cRio – //www.crio.espm.br/

Sobre OBEC-BAHIA – //www.ihac.ufba.br/project/obec/

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