Para quem não ainda não tem noção do tamanho deste mercado, é bom saber que em, 2020, a previsão do PIB do setor criativo era de R$ 129,9 bilhões, uma redução de 31,8% em relação a 2019. Para 2021, a expectativa é de um fechamento em R$ 181,9 bilhões. No biênio 2020-2021, a Economia Criativa registrará uma perda R$ 69,2 bilhões.
Esses números estão no estudo de âmbito nacional realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa e o Sebrae, e comprova que este setor, no qual a cultura tem participação relevante, está entre os mais prejudicados pela pandemia da Covid-19.
Com a necessidade de isolamento social, atividades em museus, casas de espetáculos, teatros, cinemas, startups e outros segmentos foram suspensas, o que impactou diretamente projetos em andamento, a manutenção de postos de trabalhos e a garantia da renda para profissionais que atuam em todo o país.
Tudo isso teve um preço porque, no Brasil, o setor de economia criativa corresponde a 2,64% do PIB e é responsável por 4,9 milhões de postos de trabalho. Em São Paulo, essa participação é de 3,9% do PIB do Estado e 1,5 milhão de empregos. Um dos efeitos mais perversos revelado pelo estudo foi que mais de 80% das empresas que responderam ao questionário admitiram que realizou demissões de funcionários contratados em regime de CLT.
Foi para compreender os efeitos da paralisação e orientar as ações para mitigá-los, que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC), em parceria com o Sebrae e a FGV, elaborou o estudo denominado “Pesquisa de Conjuntura do Setor de Economia Criativa – Efeitos da Crise da Covid-19”.
Realizado entre os meses de maio e junho de 2020, o trabalho contou com 546 entrevistados de todas as regiões do país e abrangeu os seguintes setores: Consumo (publicidade e marketing, arquitetura, design e moda); Cultura (expressões culturais, patrimônio e artes, música, artes cênicas); Mídias (editorial e visual); Tecnologia (P&D, biotecnologia e desenvolvimento softwares, robótica e sistemas).

Do conjunto de informações disponível na sondagem, os destaques são: 88,6% afirmaram ter registrado queda de faturamento; 63,4% contaram que não é possível realizar atividades enquanto perdurarem as medidas que vetam o contato físico; 50% tiveram projetos suspensos e 42% cancelados. Com relação à captação de recursos, 38% informaram ter perdido patrocínios obtidos antes do início da crise.
Quando perguntados sobre quais ações avaliam como as mais relevantes para socorrer o segmento criativo, os empresários responderam:
1) abertura de editais para o setor cultural e criativo com recursos do Fundo Nacional de Cultura e da participação da Cultura nas loterias federais;
2) ampliação do fomento à cultura por parte das empresas estatais;
3) renegociação dos prazos de pagamentos de empréstimos e créditos concedidos.
“O setor de Economia Criativa, mesmo possuindo atividades com comportamentos diferentes durante a crise, pode alavancar uma retomada por causa de sua velocidade de resposta e emprego intensivo de mão de obra”, diz o gerente executivo da FGV Projetos, Luiz Gustavo Barbosa.
Entre os meses de março e junho do exercício passado, a SEC apresentou uma série de medidas de enfrentamento às consequências geradas pela pandemia do coronavírus no setor cultural e criativo. Entre as ações estão linhas de crédito e microcrédito com condições facilitadas para empreendedores, lançamento do ProAC ICMS, programa de fomento indireto a projetos culturais e a criação da plataforma de acesso a conteúdo cultural gratuito #CulturaEmCasa.
Por meio da Desenvolve SP, foi criada linha de crédito para capital de giro de empresas para operações de até R$ 5 milhões; e pelo Banco do Povo, linha de microcréditos para empreendedores e profissionais para operações de até R$ 20 mil.
SERVIÇO
Para conhecer o estudo complete acesse por aqui
Crédito imagem da homepage: Pixabay
(Assine e seja também um construtor de Valor Cultural)