Pesquisa realizada pela União Brasileira de Compositores (UBC) e o cRio, o think tank da ESPM, apontou que 50% dos profissionais perderam 100% do que ganhavam com música antes da pandemia, enquanto 25% dos entrevistados perderam até 50% e os 25% restantes tiveram queda de até 80% dos rendimentos.
O levantamento traz um diagnóstico atualizado de como a pandemia de Covid-19 afetou o mercado musical no Brasil, e, assim como em 2020, o cenário aponta para uma crise continuada.
O perfil dos profissionais ouvidos, condizente com a média nacional no mercado da música, é majoritariamente de homens (84%), de 31 a 50 anos (57%) e com ensino médio (32%) ou superior (27%). Autores, instrumentistas, cantores e produtores são os profissionais mais comuns da cadeia produtiva, e a faixa de renda mínima que eles disseram necessitar para se manter varia: entre R$ 2 mil (18%) e R$ 3 mil (18%). No entanto, 19% afirmaram precisar arrecadar de mais de R$ 5 mil mensalmente. Entre todos os entrevistados, 46% trabalham unicamente com a música.
Além dos artistas, a crise atingiu os mais diversos elos da cadeia produtiva do setor. Entre as empresas ouvidas pela pesquisa, 33% tiveram que diminuir os salários dos colaboradores desde que se iniciou o isolamento social. E apenas 40% não precisou demitir funcionários neste período.

OTIMISMO – Apesar de números alarmantes sobre o impacto da crise na renda da categoria, a esperança em dias melhores também foi refletida na pesquisa. 53% dos ouvidos afirmaram que pretendem continuar trabalhando apenas com música, mas diversificando suas atuações neste mercado. Já 30% seguirão se dedicando à carreira da mesma maneira. Enquanto 3% disseram que pretendem seguir no mercado, mas diminuir a atuação com música e focar em outra profissão complementar. E apenas 2% disseram que pretendem deixar de trabalhar com música.
As perspectivas positivas dos artistas também são refletidas nas projeções dos músicos para volta das plateias. 39% dos ouvidos acreditam que os eventos terão grande adesão de público devido à demanda reprimida do confinamento. 34% acreditam que shows e eventos terão adesão controlada, seguindo os protocolos das agências sanitárias. E somente 11% afirmam que apresentações ao vivo terão baixa adesão de público devido ao medo de novas variantes.

O levantamento trouxe ainda informações de como a pandemia forçou artistas que antes se dedicavam exclusivamente à música a buscarem outras fontes de renda. Se 46% seguem com renda totalmente proveniente da música, 18% afirmaram que começaram a procurar outras atividades por causa da pandemia, enquanto 35% afirmaram que já tinham outros trabalhos anteriormente.
Diretor-executivo da UBC, Marcelo Castello Branco, destacou a importância do levantamento dos dados e como eles podem nortear a atuação não só da entidade, mas de toda a indústria. “O mercado da música cada vez se orienta mais por dados , pesquisas e estudos de comportamento e tendência. Eles são vitais ferramentas de trabalho para nossas previsões e estimativas . A inteligência de negócios nos ajuda a enfrentar e desafiar estes dias que manual de sobrevivência nenhum especulou”, afirma.
A pesquisa ouviu 611 músicos e 37 empresas ligadas ao setor. A apuração tem margem de erro de cinco pontos e ouviu representantes de todos os estados brasileiros. Confira a pesquisa na íntegra no site da UBC.
SERVIÇO
Sobre a UBC: A União Brasileira de Compositores – UBC é uma associação sem fins lucrativos, dirigida por autores, que tem como objetivo principal a defesa e a promoção dos interesses dos titulares de direitos autorais de músicas e a distribuição dos rendimentos gerados pela utilização das mesmas, bem como o desenvolvimento cultural.
Sobre cRio ESPM: O cRio – Think Tank da ESPM nasceu com o objetivo de convocar a sociedade para trabalhar de forma integrada com a Escola na busca de caminhos para o desenvolvimento da cidade e do Estado.