Programa de sucesso educacional emerge de dentro de um baú

De acordo com a Lei 12.244 publicada em 24 de maio de 2010, que institui a obrigatoriedade de uma biblioteca em cada escola, seja ela pública ou privada, com o número de acervo igual ou superior à quantidade de alunos matriculados, cerca de 139 mil bibliotecas deveriam ser construídas até 2020. O Censo Escolar 2013 realizado pelo portal Qedu mostra que no ano de 2013, apenas 59% das escolas particulares possuíam biblioteca, diante do lastimável número de 28,9% de escolas públicas. Diante do debate de reformulação do ensino, fomento à leitura e educação, quem mais, além do governo federal, pode fazer esse quadro mudar?

A resposta é: um baú. Sim, um baú, que nada mais é do que um um armário sobre rodas (1,60×1,40Mx0,50), contendo um acervo de recursos culturais e educacionais como livros, cenários e figurinos, fantasias e jogos tradicionais e que já está em mais de 800 escolas do país.

Baú das Artes possui 48 atividades com temas variados para crianças entre 5 e 11 anos

Ele é mais do que um baú – é o Baú das Artes, um projeto sociocultural com enorme êxito, tanto de execução quanto de captação de recurso para sua subsistência e ampliação. Tem sido sustentado, ao longo de muitos anos, por empresas como Kraft Foods, Pernambucanas Financiadora, Innova, Cutrale, White Martins e tantas outras que verteram para a Evoluir, sua realizadora, montantes que já ultrapassaram R$ 8 milhões via incentivo fiscal.

A Evoluir já conseguiu captação em torno de R$ 25 milhões para seus projetos, somente com uso da lei federal de incentivo.

“A gente trabalha com beneficiários dos nossos programas e clientes. Os beneficiários são as crianças de escola pública, o jovem que participa do programa de uma ONG, mas também a professora de uma escola, uma gerente, uma diretora de escola pública. Eles são beneficiários porque 90% dos nossos projetos são financiados pelas leis de incentivo ou contratados por investimento direto; no caso, os beneficiários não pagam pelos nossos serviços, são as empresas que pagam. E as empresas são os nossos clientes/patrocinadores. Temos um portfólio de projetos – muitos deles estão nas leis de incentivo – e a gente faz um trabalho de captação junto às empresas, mas muitas vezes essas empresas necessitam de uma orientação ou serviço específico como de voluntariado e obviamente voluntariado não é uma atividade que entra nas leis de incentivo. Então eles nos contratam diretamente para ou elaborar um programa para eles, uma consultoria, ou muitas vezes eles patrocinam o Baú das Artes, por exemplo, e gostaria que funcionários fossem voluntários do projeto”.

Fernando Monteiro, Diretor da Evoluir

Quem explicou foi Fernando Monteiro, diretor da Evoluir, entidade que não se limita ao Baú das Artes. Conforme Fernando, o trabalho da organização é produzir conhecimento, tecnologia e metodologia que ajude educadores, tanto formais de escola quanto de outros espaços de aprendizagem, como educação informal, a criar novas formas de aprendizagem. A Evoluir tem quatro linhas de atuação: a editora, onde ainda vende livros online, mas também faz projetos de incentivo à leitura com o apoio de leis de incentivo. A segunda são programas educacionais, e o Baú das Artes é um desses programas e esses programas são tecnologias educacionais já testadas e sistematizadas de forma que o professor ou o agente social ou alguém que trabalhe no campo da educação possa pegar essa tecnologia, através de uma formação e aplicar rapidamente em seu trabalho.

“Temos também o Nau dos Mestres, diz Fernando, que trabalha ciências de forma lúdica, criativa, favorecendo a participação ativa da criança na construção do conhecimento. Temos outro projeto que chamamos Construindo Música que trabalha com o tema da música feita com instrumentos de material reutilizável. Temos também o Heróis em Ação, onde as crianças se tornam os guardiões mirins do bairro, do entorno da escola. E também temos um outro projeto junto com a EDP, de energia elétrica, na busca da redução do número de acidentes de crianças com pipas na rede elétrica, é um trabalho educativo e de sensibilização muito sério principalmente nas cidades de periferia onde a brincadeira da pipa pode se tornar um problema sério para a segurança. A outra área que temos trabalhado é mais na área de formação e capacitação de educadores para usar essas tecnologias que trabalhamos”.

Projeto Baú das Artes já beneficiou cerca de 300 mil crianças em mais de 800 escolas do país

CAPTAÇÃO E CONSELHO – O Baú das Artes é viabilizado, desde o princípio, somente com recursos captados através das leis de incentivo. Por ser um projeto que gera bastante interesse por parte do Ministério da Cultura, o baú já está em sua quinta edição, com sucesso em captação. Mas como isso funciona? Há uma equipe de captação? No áudio a seguir, Fernando Monteiro, diretor da Evoluir, explica como conseguiram o primeiro patrocínio do projeto e como ele foi acontecendo ao longo dessas cinco edições:

Como explica Fernando, o Baú teve sorte em ter parceiros interessados na mesma missão do projeto, porém, além de contar com a sorte, a busca por patrocínio é difícil e requer pelo menos uma equipe destinada a esse esforço. Com uma entidade que já arrecadou cerca de R$ 25 milhões via leis de incentivo, o diretor da Evoluir dá o seu conselho para aqueles que estão buscando viabilizar seus projetos. Ouça no áudio abaixo o conselho de Fernando Monteiro para os produtores e captadores de projetos:

COMO FUNCIONA – O Baú das Artes foi criado há cerca de cinco anos, surgido na esteira dos projetos de livros de incentivo à leitura, que remontam à origem do Evoluir em 1996. Foi observado que as escolas, muitas vezes, fazem cantinhos de leitura, uma espécie de biblioteca, porém mais acessível; a criança não precisa ir retirar o livro. Então, por que não trabalhar melhor essa ideia de a criança usar espaço com acervo criativo? E então se começou a pensar em um baú, algum tipo de móvel que pudesse ter dentro uma série de recursos, além da leitura, que pudesse trabalhar com várias linguagens de aprendizagem. Hoje, ali dentro, se pode achar elementos que permitem abordagens sobre teatro, horta, música, leitura, encenação, corte e costura, artes plásticas – tudo dentro de um equipamento só.

Ao longo desses cinco anos de existência foram contratados pedagogos e construido todo o material educacional. Hoje o Baú das Artes está organizado em seis temas transversais da educação: saúde, ética, pluralidade cultural, trabalho e consumo, sexualidade e meio-ambiente. Para cada um desses seis temas foram criadas oito atividades. Dessas oito, quatro são para crianças entre 5 a 7 anos. E outras quatro atividades para crianças entre 8 e 11 anos. São 48 atividades ao total e para cada uma delas há um plano pedagógico. Se o professor quiser trabalhar o tema de meio-ambiente, por exemplo, dentro da caixa ele irá encontrar uma variedade de assuntos e poderá escolher qual e com qual idade deseja trabalhar.

Mais de 300 mil crianças já se beneficiaram desse programa que está em constante evolução, como explica Fernando Monteiro.

“Ano passado demos um grande salto na parte de conteúdo e proposta pedagógica. Para o próximo ano queremos facilitar ainda mais a vida do educador ou educadora que irá utilizar esse meio. Então estamos olhando algumas coisas de tecnologia, como por exemplo, a possibilidade de uma professora de lá do interior do Tocantins ter acesso a uma vídeo-aula de formação através de um site na internet. Também estamos lançando uma coleção de livros do Baú das Artes para os alunos. Com aqueles seis temas que eu citei anteriormente, que são os temas do Baú, nós só temos livros para o professor. Então, no próximo ano, vamos lançar o livro destinado às crianças, e o conteúdo são as atividades que estão no Baú”.

Veja mais sobre a Evoluir e seus projetos educacionais: evoluircultural.com.br

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