Olha Que Número! Em 2022 Brasileiros Doaram 12 Bilhões Para Organizações Sociais

Esse valor citado no título, aplicado por Pessoas Físicas, é estimado pela Pesquisa Doação Brasil, iniciativa coordenada pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e realizada pela Ipsos. Esse número se revela ainda mais impressionante quando se sabe que, em 2021, o valor destinado a organizações e causas de interesse público por 324 empresas e 17 Institutos, segundo o Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC), foi de R$ 4,1 bilhões.

E a boa notícia é que a prática da doação vem ganhando cada vez mais força no Brasil. Em 2022, 84% dos brasileiros acima de 18 anos, e com rendimento familiar superior a um salário-mínimo, fizeram ao menos um tipo de doação, seja de dinheiro, bens ou tempo, na forma de voluntariado. Dois anos antes, a média era de 66%. A doação diretamente para OSCs e projetos socioambientais foi praticada por 36% dos respondentes, mantendo-se estável.

Pesquisa revelou também um dado que gestores de empresas precisam prestar atenção. O resultado mostra que as pessoas punem muito mais as companhias e marcas que possuem condutas inadequadas (77%) do que premiam as que adotam boas práticas de investimento social (44%). Entre os doadores institucionais, esse impacto é ainda maior – 85% e 49%, respectivamente.

TIPO DE DOAÇÃO — Entre os respondentes, 48% disseram que fizeram algum tipo de doação em dinheiro em 2022. O valor é 7 pontos maior que aquele encontrado em 2020 e equivalente ao patamar de 2015 (52%). Parte desses recursos foi destinado a ONGs, projetos socioambientais ou campanhas de cunho social, sendo o percentual da população que faz doação institucionais é de 36%. Chama atenção, entretanto, o aumento significativo do percentual de pessoas que declararam doar esmolas, subindo de 6% em 2020 para 16% em 2022. Esse crescimento está alinhado com o aumento (de 1% em 2020, para 10%) das doações institucionais para organizações e projetos que atendem pessoas em situação de rua, mostrando a sensibilidade aguçada para a causa.

Os jovens da Geração Z se mostram muito mais otimistas e positivos em relação às Organizações em todos os quesitos. A diferença em relação à população em geral é especialmente maior na afirmação de que as “OSCs levam benefícios a quem realmente precisa” (74% entre a Geração Z contra 58% da população geral). Em afirmações como “As ONGs deixam claro o que fazem com os recursos” e “A maioria das ONGs são confiáveis” a concordância da Geração Z está na casa dos 39%, o que mesmo sendo maior que na população em geral, ainda é ponto de atenção.

Assim como na população em geral, os dados sobre Geração Z demonstram que eles também estão doando mais. Enquanto, em 2020, 63% deles diziam ter realizado algum tipo de doação, em 2022 o número chega a 84%, igualando-se à média nacional. Os destaques de doação nesse recorte estão principalmente para doadores de bens (76%) e trabalho voluntário (30%). Já quanto à doação de dinheiro para ONGs e projetos socioambientais, os jovens ficam 9 pontos abaixo da média geral, 27% contra 36% — fenômeno natural, uma vez que a disponibilidade de dinheiro nessas idades, por vezes, é menor do que quando comparada a pessoas mais velhas. Por outro lado, eles tendem também a ter uma visão mais positiva sobre a doação e sobre as ONGs.

Ações ligadas à infância e ao combate à fome são as duas primeiras colocadas na preferência dos brasileiros, e isso se confirma também entre os jovens. Porém, o ranking segue com diferença entre os doadores da Geração Z e da população geral. Os jovens se sensibilizam mais com pessoas em situação de rua e situações emergenciais, mostrando disposição a questões mais visíveis e com impactos mais imediatos. A causa animal também conta com mais simpatizantes entre a Geração Z do que na população como um todo.

A Pesquisa Doação Brasil foi viabilizada com o apoio de parceiros e especialistas, que contribuíram com recursos e conhecimento e o IDIS afirma que este é o mais abrangente estudo sobre os hábitos de doação dos indivíduos no Brasil.  Em sua terceira edição, a Pesquisa apresenta um retrato da cultura de doação no Brasil e traz um capítulo temático focado nos hábitos e atitudes da Geração Z, contemplando jovens nascidos entre 1996 e 2004.

DESTAQUES – Seguem alguns destaques extraídos da pesquisa:

  • Mais da metade da população com rendimento familiar acima de 6 salários-mínimos fez ao menos uma doação institucional em 2022. As únicas faixas que registraram crescimento no percentual de doadores foram a população com renda familiar entre 1 e 2 salários-mínimos (de 25% para 29%), menor escolaridade – de 27% para 32% entre aqueles com até o Ensino Fundamental completo – e adultos acima de 60 anos (de 32% para 42%).
  • Os homens estão doando mais. 37% dizem ter feito alguma doação para ONG ou projeto socioambiental em 2022 (um aumento de 5 pontos percentuais) e agora a participação se equiparou à das mulheres, que caiu nos últimos anos.
  • Cresce o número de doações para a causa da saúde e a pessoas em situação de rua. Crianças/causa infantil segue liderando o ranking.
  • impacto da pandemia ainda perdura e 38% dos doadores dizem que a experiência os levou a doar mais para ONGs.
  • Famílias, amigos ou vizinhos são os fatores que mais influenciam na doação. Igreja ou grupo comunitário vem em segundo lugar.
  • Instagram é a rede social que mais influência na doação, mas não é a que capta os valores mais altos, posto ocupado pelo WhatsApp.
  • Os jovens da Geração Z estão doando mais do que no passado, têm uma percepção melhor das ONGs do que a população em geral, e admitem mais a influência das mídias sociais na hora de doar.
  • Perspectiva de aumento das doações é positiva e não doadores se mostram inclinados a repensarem suas atitudes: 93% deles afirmam que poderiam passar a doar (este número era 57% em 2020 e 40% em 2015).

SERVIÇO

Mais informações sobre metodologia, dados e recortes adicionais podem ser encontrados em pesquisadoacaobrasil.org.br

Caso queira conhecer a pesquisa completa, baixe por aqui.

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