Empresas da Amazônia. Para onde Elas Enviam o Dinheiro do Patrocínio?

A Zona Franca de Manaus (ZFM) é um modelo de desenvolvimento econômico implantado pelo governo brasileiro objetivando viabilizar uma base econômica na Amazônia Ocidental e Amapá. Abrange os Estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima e Amapá.

Compreende três polos econômicos: comercial, industrial e agropecuário. O Polo Industrial possui aproximadamente 500 indústrias de alta tecnologia gerando mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos, principalmente nos segmentos de eletroeletrônicos, duas rodas e químico. Entre os produtos fabricados destacam-se: aparelhos celulares e de áudio e vídeo, televisores, motocicletas, concentrados para refrigerantes, entre outros. O polo Agropecuário abriga projetos voltados às atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras.

E mesmo com esse poderio econômico, o Norte, ironicamente quem mais se beneficia de subsídios fiscais, é a região onde menos se investe em cultura com lei de incentivo.

Mais grave é que as empresas da região, que abrange também os Estados do Pará, Maranhão e Rio Grande do Norte, quando o fazem não prestigiam projetos locais – escolhem, quase sempre, ações desenvolvidas nas regiões Sul ou Sudeste.

Esse levantamento que realizamos é para mostrar quais são as companhias, com sede na região Norte, que anualmente investem mais de R$ 1 milhão em projetos culturais via lei Rouanet e para onde elas remetem o dinheiro.

E o momento parece oportuno porque 2019 foi o ano em que as empresas da região mais fizeram uso do incentivo fiscal desde 2010 (ver gráfico abaixo). Foram R$ 18,5 milhões captados frente a R$ 11,6 milhões em 2018.

Procuramos mostrar também mesmo aquelas que um dia já foram patrocinadoras e que deixaram de sê-lo há alguns anos. Em nosso Perfil de Patrocinadores temos exemplos de companhias que ficaram ausentes muito tempo e voltaram a apoiar ações culturais. Talvez essas empresas da Amazônia, que um dia já foram incentivadoras da cultura, possam ser seduzidas a voltar a aplicar na região por causa de um bom projeto.

Você tem algum?

SAMSUNG

Razão Social: Samsung Eletrônica da Amazônia Ltda

Total aplicado: 109.350.222

Última aplicação: 2020

Resumo: É o maior investidor cultural com sede em Manaus (AM), mas somente no ano de 2017 patrocinou projetos da região. Foram o Amazon Cine 3D e a exposição A Cidade de Manaus – História, Gente e Cultura, a quem bancou sozinha com R$ 4,4 milhões. Nos outros anos dedicou-se a viabilizar suas próprias iniciativas que envolvem eventos ligados a música como Samsung Best of Blues, Samsung E-Festival Instrumental e outros, todos fora da região amazônica.

Talvez bons projetos possam convencê-la a dar mais atenção ao local que lhe dá tantos subsídios.

CROWN

Razão Social: Crown Embalagens Metálicas da Amazônia Ltda.

Total aplicado: 11.629.939

Última aplicação: 2019

Resumo: Segundo maior investidor da Zona Franca, jamais apoiou qualquer projeto da região e, claramente, não tem política de patrocínio. Desde 2017 endereça toda a sua verba para os planos e ações do Instituto Ling, no Rio Grande do Sul.

BANCO DA AMAZÔNIA

Razão Social: Banco da Amazônia S.A.

Total aplicado: 11.330.015

Última aplicação: 2019

Resumo: Só faltava essa empresa não investir em projetos da região. É o maior patrocinador local e tem dado grande força para ações realizadas no Amazonas e Pará, principalmente os ligados a Dança, como o Mova-se Festival de Dança, apresentação de O Quebra Nozes, além de eventos de Música Cantada como Amazon Mix e MPB Festival. Também é apoiador permanente do Circular Campina Cidade Velha, circuito cultural gratuito nos bairros do Centro Histórico de Belém (PA).

BIC

Razão Social: BIC Amazônia S/A

Total aplicado: 10.845.134

Última aplicação: 2019

Resumo: Em 2019, pela primeira vez, essa empresa que desde 2003 já utilizou mais de R$ 10 milhões com incentivo fiscal federal, patrocinou uma ação realizada na região Norte. Beneficiado foi o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro – Unidades Maués, apresentado pela Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural – AADC. No ano a BIC aplicou R$ 853 mil e, para esse projeto, apenas R$ 39 mil. As outras ações foram todas em Estados do Sudeste ou Sul.

MOTO HONDA

Razão Social: Moto Honda da Amazônia Ltda

Total aplicado: 7.868.925

Última aplicação: 2018

Total aplicado pelo Grupo: 23.170.659

Resumo: Não aplicou em 2019, mas em 2018 foi importante patrocinador do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, o mesmo da referência acima. Diferença é que a Moto Honda destinou R$ 200 mil para as unidades Coari e Maués e R$ 600 mil para a unidade Envira, totalizando  R$ 1 milhão. Importante é que esses investimentos na região foram feitos pela primeira vez desde que começou a utilizar lei de incentivo em 2012.

J.TOLEDO

Razão Social: J.Toledo da Amazônia Indústria e Comércio de Veículos Ltda.

Total aplicado: 7.451.706

Última aplicação: 2019

Resumo: É representante das motos Suzuki no Brasil, mas seus patrocínios estão mais voltados para ações realizadas em Santa Catarina. De 2015 a 2017 apoiou só um – a produções cinematográfica de média metragem denominada Arte, Inovação e Sustentabilidade, da ONG Me Ensina. Passou 2018 em branco e, em 2019, destinou R$ 200 mil para o documentário sobre a revolução federalista na cidade de Florianópolis, proposto por Maria Alice Baggio da Silva. Ambos de SC.

ESSILOR

Razão Social: Essilor da Amazônia Industria e Comércio Ltda.

Total aplicado: 5.203.000

Última aplicação: 2019

Resumo: Tem apenas um interesse: o Festival Varilux de Cinema Francês, a quem apoia exclusivamente desde 2013. Nunca patrocinou nenhum projeto da região Norte.

LG

Razão Social: LG Eletronics da Amazônia Ltda.

Total aplicado: 4.204.881

Última aplicação: 2013

Total aplicado pelo Grupo: 7.862.413

Resumo: A LG deixou de utilizar lei federal de incentivo há algum tempo, após um histórico de mais de R$ 7 milhões investidos em cultura por esse mecanismo. Sua empresa amazônica fez última aplicação em 2010 com a peça Shakespeare Apaixonado por Cachorro, voltado para o público infantilm a quem bancou com exclusividade com R$ 1,3 milhão. Em anos anteriores havia patrocinado ações de livros, exposição e Música Erudita. A LG do Brasil fez última intervenção em 2013 com o projeto Arte e Inclusão – Orquestra Escola Infanto-juvenil e Ateliê de Artes Visuais. Público infantil era o preferido da empresa. Poderá voltar a sê-lo?

HONDA

Razão Social: Honda Componentes da Amazônia Ltda.

Total aplicado: 1.200.000

Última aplicação: 2017

Total aplicado pelo Grupo: 23.170.659

Resumo: Essa empresa foi utilizada somente nos anos de 2016 e 2017, mas pelo menos duas ações do Amazonas foram patrocinadas. O livro Retratos Culturais do Arco e Flecha no Amazonas, proposto pela Fundação Amazonas Sustentável, a quem destinou R$ 100 mil, e Amazon Cine 3D, de audiovisual, proposto pela Amazon Feiras, Eventos, Publicidades e Produções Ltda, de quem foi o maior apoiador, com R$ 700 mil.

PHILLIPS

Razão Social: Philips da Amazônia Indústria Eletrônica Ltda

Total aplicado: 1.182.033

Última aplicação: 2009

Total aplicado pelo Grupo: 1.241.607

Resumo: Essa multinacional holandesa fez uso de lei federal de incentivo em 1998, 2005, 2006 e 2009, ano em que destinou R$ 100 mil para o livro intitulado “Agenda Cultural”, com registros de festividades religiosas, tradicionais e folclóricas que acontecem nas diversas cidades do país, cujo proponente foi a Dezemhum Editora e Serviços Culturais Ltda. Outro projeto de Humanidades, este em 2006, foi o Doze Bibliotecas em Pernambuco – Centro de Excelência, que previa democratizar o acesso ao conhecimento por meio de livros e literatura de qualidade, proposto pela Thames Press Editora. Mas essa ação teve problemas com o Tribunal de Contas da União, que julgou as contas irregulares e aplicou multa.

Mas essa empresa é muito grande e pode voltar a ser parceira de algum bom projeto.

PEPSI

Razão Social: Pepsi-cola Indústria da Amazônia Ltda

Total aplicado: 1.030.360

Última aplicação: 2013

Total aplicado pelo Grupo: 7.326.329

Resumo: No último ano em que fez uso de lei federal de incentivo a Pepsi apoiou o 5º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre proposto pela Associação Rede do Circo, a quem destinou R$ 80 mil. Em 2006 e 2007 foi patrocinadora exclusiva do Pepsi On Stage na Estrada, que consistiu em desenvolver programação cultural em dois Estados Brasileiros – Rio Grande do Sul e Santa Catarina – cujo proponente foi a 6 PRO – Eventos Empresariais Ltda. A Pepsi bancou essa ação com R$ 532 mil nos anos de 2009 e 2010, mas até hoje a prestação de contas do projeto está em análise por parte da Secretaria Especial de Cultura.

Como Pepsi do Brasil última aplicação foi em 2012 no SONAR São Paulo e 18º Porto Alegre em Cena.

SERVIÇO

Crédito das imagens: Max Ravier (home) e Engin Akyurt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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