Custo x Benefício: Estudo Compara 10 Melhores Estratégias Para Captação

No ranking de melhores custo-benefício, primeiro lugar ficou com projetos via incentivos fiscais, que geraram receita de R$ 12,2 milhões e investimento de R$ 611 mil.

Duas medições podem ser feitas quando se trata de captação de recurso para entidades sociais – a de grau de investimento e do retorno obtido.

Foi com base nessa premissa que Michel Freller, vice-presidente do Conselho da ABCR e sócio-diretor da Criando Consultoria, e Roberto Lang, consultor da Criando, realizaram estudo comparativo do custo-benefício das 10 melhores estratégias de captação que as OSCs podem realizar.

Vinte e oito organizações, das 31 consultadas, revelaram quais foram as estratégias mais utilizadas, que resultaram em retorno de R$ 120 milhões em 2022, equivalente a média de R$ 4,3 milhões por instituição. Investimento foi de R$ 14,1 milhões.

De diversos portes e causas, elas representaram as áreas, com prevalência das causas de assistência social.

O resultado mostrou que as estratégias mais utilizadas visaram grandes e médios doadores, mas projetos com incentivo fiscal mostraram o melhor custo-benefício.

O estudo, apresentado durante o Festival ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos), elaborou dois rankings: um com os métodos de captação que trazem mais recursos e outro com os métodos com melhor custo-benefício. O telemarketing ficou em primeiro lugar no primeiro ranking, com captação média de R$ 3,1 milhões, porém chegar a esse número foi necessário investir R$ 1,2 milhão.  

Projeto com incentivo fiscal tem menor investimento por retorno (R$ 4,97 a cada R$ 1 investido); e evento o maior (R$ 60,77 a cada R$ 1), seguido de telemarketing.

“O telemarketing traz mais recursos, mas também gera muitos custos. É uma estratégia em que 50% do dinheiro captado será usado para arcar com os custos das operadoras, mensageiros, sistemas de pagamento, telefonia etc. Tem uma relação custo-benefício ruim”, afirma Michel.

Dado a ser observado é a participação de pequenos e médios doadores dentro das estratégias mais utilizadas – ela situou-se em terceiro lugar entre as preferências (46% das instituições), perdendo apenas para grandes e médios doadores e eventos.

 

No ranking de melhores custo-benefício, primeiro lugar ficou com projetos via incentivos fiscais, que gerou uma receita de R$ 12,2 milhões e investimento de R$ 611 mil.

Segundo lugar ficou com projetos internacionais (receita de R$ 5 milhões e investimento de R$ 304 mil) e, em terceiro lugar, aparecem os projetos financiados pelo governo com arrecadação de R$ 18,3 milhões e custos de R$ 1,1 milhão.

O trabalho revelou que o financiamento por meio de projetos corresponde a 34% do total captado pelas organizações.

“A busca de recursos por projetos no Brasil ainda é a ferramenta mais importante porque muitos financiadores gostam de ter um projeto escrito. Mas isso tem diminuído – o governo é o que mais financia as organizações e mais de 40% delas recebem recursos federais, estaduais e municipais”, ressalta Michel, lembrando que nos Estados Unidos se capta mais pela causa, “mas temos crescido nisso e diminuído a importância do projeto e aumentando a relevância da captação pela causa”.

Objetivo do estudo foi checar com evidências o retorno sobre investimentos de estratégias e levou em conta o seguinte entendimento:

Investimento: inclui comunicação, visitas, contrapartidas, custos de execução, realizadas em 2022.

Captação: O que entrou em 2022 referente àquela estratégia específica.

Levantamento foi realizado em maio de junho de 2023 e você pode conhecer seus principais resultados por aqui.

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